Infarto em SP atinge média de 58 anos, aponta estudo
Estudo da Rede D'Or aponta média de 58 anos para infarto em São Paulo, a mais jovem do país. Estresse crônico é fator de risco chave. Agilidade no atendimento e prevenção são destacados.

## Idade Média de Infarto em São Paulo é a Mais Baixa do País
Um estudo recente conduzido pela Rede D'Or revelou que a idade média de pacientes diagnosticados com infarto agudo do miocárdio (IAM) no estado de São Paulo é de 58 anos, a menor entre as regiões analisadas. A pesquisa, que abrangeu dados de janeiro de 2025 a março de 2026, avaliou um total de 4.921 pacientes em 59 unidades da rede distribuídas em seis estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Brasília, Minas Gerais e Pernambuco. Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro concentraram 60% dos atendimentos, com 1.482 e 1.466 casos suspeitos, respectivamente.
## Fatores de Risco e Prevenção
Segundo a Dra. Mariana Mancilha, cardiologista do Hospital Vila Nova Star e gerente médica da Cardiologia D'Or, o perfil mais jovem em São Paulo pode ser multifatorial. O estresse psicossocial crônico é apontado como um dos principais fatores de risco independentes, atuando em conjunto com o tabagismo, hipertensão, diabetes e dislipidemia. "O estresse crônico é reconhecido como um importante fator de risco cardiovascular, promovendo alterações neuro-hormonais, metabólicas e inflamatórias que aceleram o desenvolvimento da aterosclerose", explica. Em contrapartida, os demais estados apresentaram médias de idade mais elevadas para infarto: Bahia (69 anos), Brasília (67 anos), Minas Gerais (67,5 anos) e Pernambuco (70 anos). A cardiologista reforça que a maioria desses fatores é modificável, e medidas como atividade física regular, alimentação equilibrada, controle de pressão e diabetes, cessação do tabagismo e busca por atendimento médico diante de sintomas são cruciais para a prevenção.
## Agilidade no Atendimento e Taxa de Mortalidade
A Rede D'Or, reconhecida como a maior empresa de saúde da América Latina, também destacou a agilidade no atendimento a pacientes com suspeita de infarto. O tempo médio entre a chegada ao pronto-socorro com dor torácica e a realização do eletrocardiograma (ECG) foi de apenas 5 minutos, metade do limite de 10 minutos preconizado pela American Heart Association (AHA). A taxa de mortalidade geral entre os pacientes atendidos foi de 2,4%, um índice compatível com registros internacionais. Observou-se que a média de idade dos pacientes que evoluíram a óbito foi cerca de 10 anos superior à dos sobreviventes, indicando que o risco se concentra em faixas etárias mais avançadas.
Os dados completos do estudo serão apresentados no Congresso Internacional de Cardiologia Rede D'Or 2026, que ocorrerá de 6 a 8 de agosto no Rio de Janeiro, reunindo especialistas para discutir as últimas evidências científicas e desafios na prática cardiovascular, com temas que vão desde inteligência artificial na medicina até doenças coronarianas e insuficiência cardíaca.