Hepatite A em SP: Casos no 1º Semestre Superam Total de 2025
Casos de hepatite A em SP disparam no 1º semestre de 2026, superando o total de 2025. Hepatites B e C registram queda. Vacinação e higiene são cruciais.

O estado de São Paulo registrou um expressivo aumento nos casos de hepatite A durante o primeiro semestre de 2026, contabilizando 1.880 infecções. Este número já ultrapassa o total de casos notificados em todo o ano de 2025, que foi de 1.663. A tendência de crescimento da doença no estado tem sido observada desde 2022, quando foram registrados apenas 294 casos.
## Avanço da Hepatite A e Queda de Outras Hepatites
A escalada da hepatite A contrasta com a trajetória das hepatites B e C no estado, que apresentam queda nos registros nos últimos anos. A hepatite B caiu 14,6% entre 2022 e 2025, passando de 2.488 para 2.124 casos. Já a hepatite C teve uma redução de 20,1% no mesmo período, com os casos diminuindo de 3.405 para 2.722.
A hepatite A é uma infecção viral transmitida principalmente pela via fecal-oral, frequentemente associada a condições precárias de higiene e saneamento, ou por contato sexual. A vacinação é apontada como a principal ferramenta de prevenção. A doença afeta o fígado e pode se manifestar com sintomas como cansaço, mal-estar, febre, dores abdominais, náuseas, vômitos, urina escura e icterícia (pele e olhos amarelados).
Alessandra Lucchesi, diretora da Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar da Secretaria da Saúde estadual, destaca que a hepatite A é a única entre as principais hepatites virais em crescimento consistente. Fatores como enchentes, consumo de água e alimentos contaminados, compartilhamento de seringas e práticas sexuais de risco contribuem para o aumento.
## Foco em Guarulhos e Medidas de Prevenção
Embora o crescimento esteja concentrado em algumas regiões, como Ribeirão Preto, o município de Guarulhos, na Grande São Paulo, chamou a atenção das autoridades sanitárias devido a um surto notificado. Investigações apontam para uma forte associação com a possível contaminação da água como origem do surto. Medidas como intensificação da vigilância epidemiológica, orientação à população e vacinação seletiva estão sendo implementadas.
A vacina contra a hepatite A faz parte do calendário infantil do SUS, aplicada em dose única aos 15 meses de idade, e também está disponível para grupos específicos de adultos. Recomendações de higiene, como lavagem das mãos e consumo de água e alimentos seguros, são essenciais para a prevenção.
Durante o Julho Amarelo, mês de conscientização sobre hepatites virais, diversas ações de prevenção, vacinação e testagem foram intensificadas em municípios da Grande São Paulo, como Diadema e a capital paulista, visando ampliar o diagnóstico precoce e alertar a população.