Grupo Anônimo Oferece Apoio Contra Vício em Jogos
Jogadores Anônimos em BH oferece suporte gratuito contra vício em jogos. Grupo acolhe jovens e adultos, com foco na ausência de julgamento e em conquistas simbólicas como chaveiros.

Em Belo Horizonte, o grupo Jogadores Anônimos (JA) tem completado 30 anos de atuação, oferecendo um espaço de acolhimento e recuperação para pessoas que lutam contra o vício em jogos de azar. As reuniões, que ocorrem duas vezes por semana, têm registrado um aumento significativo na participação, especialmente após a pandemia e com a popularização das apostas esportivas e cassinos online.
## Aumento da Dependência e Novos Perfis
Um integrante do grupo, que participa há 25 anos, relata que o perfil dos dependentes tem se tornado mais jovem. Atualmente, a faixa etária predominante é de 18 a 30 anos, incluindo um adolescente de 16 anos. Essa mudança é atribuída à facilidade de acesso às apostas através de smartphones, eliminando a necessidade de deslocamento a locais físicos para jogar. A modalidade online permite apostar de qualquer lugar, a qualquer momento.
As reuniões contam com cerca de 50 participantes, incluindo homens e mulheres de diversas idades e condições financeiras. Durante os encontros, os membros compartilham suas experiências em um momento chamado “palavras francas”. Nesse espaço, os participantes relatam seus desafios e vitórias, oferecendo incentivo e esperança aos recém-chegados. O ambiente é de total ausência de julgamento, onde cada um encontra um lugar comum de acolhimento e identificação.
## Recuperação e Incentivo: Os Chaveiros Simbólicos
O vício em apostas é classificado como um transtorno de saúde mental e possui tratamento. Os Jogadores Anônimos oferecem um programa baseado em chaveiros como forma de incentivo e acompanhamento da recuperação. Ao ingressar no grupo, o indivíduo recebe o primeiro chaveiro. A cada 30 dias de abstinência, um novo chaveiro é concedido, simbolizando as conquistas na luta contra o vício. As metas incluem 30, 60, 90, 180 dias, nove meses e um ano, com atualizações anuais após o primeiro ano.
A recaída é vista como parte do processo de recuperação. Quem volta a apostar, independentemente do número de chaveiros acumulados, precisa devolvê-los e recomeçar do zero. Essas experiências, embora por vezes embaraçosas, são compartilhadas e acolhidas sem julgamentos, reforçando a ideia de que é possível retornar ao caminho da sobriedade quantas vezes forem necessárias.
O grupo enfatiza que o apoio mútuo e a ausência de julgamento são pilares essenciais para o fortalecimento dos membros e para ajudar novos integrantes a encontrarem um caminho para superar a dependência. A associação Abraço, em Belo Horizonte, é um dos locais onde essas reuniões acontecem gratuitamente.