Duas realidades contrastantes em UTIs: SC investe R$ 12 mi, MA aponta falta de médicos

Enquanto hospital em SC investe R$ 12 milhões em nova UTI com 20 leitos, hospital em MA opera com apenas 3 médicos para 28 leitos, além de falta de medicamentos e fisioterapeutas.

Duas realidades contrastantes em UTIs: SC investe R$ 12 mi, MA aponta falta de médicos

O cenário da infraestrutura e operação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no Brasil apresenta realidades drasticamente distintas. Em Ponte Serrada, no Oeste catarinense, o Complexo Hospitalar Santa Luzia iniciou as obras de um novo bloco de alta complexidade, com um investimento previsto de R$ 12 milhões. A expansão visa a implantação de 20 novos leitos de UTI, além de novas salas cirúrgicas e ampliação da capacidade de internação. A expectativa é que esta obra, com previsão de conclusão em data não especificada, reduza a necessidade de transferências de pacientes para outras cidades, um problema recorrente para atendimentos de maior complexidade na região.

Em contrapartida, em São Luís, Maranhão, a situação é alarmante. Uma inspeção da Defensoria Pública do Estado (DPE-MA) revelou graves irregularidades no Hospital da Criança Dr. Odorico Amaral de Matos. A unidade, que possuía 28 leitos de UTI pediátrica ocupados no momento da vistoria, operava com apenas três médicos plantonistas, um em cada uma das três UTIs. Esta quantidade está significativamente abaixo do recomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estabelece a necessidade de seis médicos, incluindo plantonistas e diaristas, além de coordenadores.

A nota técnica da Defensoria Pública do Maranhão, divulgada nesta sexta-feira (17), aponta ainda para a ausência de médicos diaristas e responsáveis técnicos. Um dos plantonistas inspecionados não possuía especialização em Pediatria ou Terapia Intensiva Pediátrica, e observou-se acúmulo de funções. Relatos de pais e profissionais de saúde confirmaram a falta de medicamentos, com substituições temporárias sendo necessárias. A equipe de fisioterapia também se mostrou reduzida, com apenas dois profissionais para as três UTIs, sendo que apenas um possuía a qualificação exigida para terapia intensiva pediátrica.

Outro ponto crítico levantado pela Defensoria Pública foi a gestão de leitos. Crianças chegaram a aguardar mais de dois dias por uma vaga em UTI após indicação médica, pois a unidade aguardava liberação interna antes de acionar centrais de regulação externas. O tempo médio de permanência nas UTIs, que varia entre 16 e 21 dias, também contribui para a baixa rotatividade. O relatório final da inspeção da DPE-MA ainda está em elaboração, com a identidade de envolvidos sendo preservada.