Dor de Crescimento: Estudo Revela Recuperação em 86% de Jovens

Estudo com 694 jovens indica que 86% se recuperam de dores musculoesqueléticas em 18 meses. Alerta para recorrência e subestimação da condição, com impacto na fase adulta.

Dor de Crescimento: Estudo Revela Recuperação em 86% de Jovens

Um estudo recente publicado no Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy revelou que ao menos 86% das crianças e adolescentes que sofrem com dores intensas nos ossos, ligamentos ou músculos conseguem se recuperar em até 18 meses. A pesquisa, que acompanhou 694 jovens, trouxe um novo olhar para essa queixa comum, que afeta cerca de três em cada dez jovens no Brasil e pode levar ao absenteísmo escolar e abandono de atividades rotineiras.

## Prognóstico e Recorrência

Apesar da alta taxa de recuperação, o estudo alerta que aproximadamente 32% dos pacientes que experimentam melhora podem voltar a sentir dor em algum momento. Tiê Parma Yamato, coordenadora da investigação e pesquisadora associada da Unicid e da Universidade de Sydney, destacou que a dor musculoesquelética em jovens é frequentemente subestimada e pouco estudada. "Isso faz com que crianças e adolescentes muitas vezes recebam um tratamento inadequado ou que suas queixas sejam pouco valorizadas pela família e pelo sistema de saúde", afirmou Yamato.

A pesquisa identificou que fatores como qualidade de vida e idade são preditores importantes de recuperação. Jovens mais novos e com melhor qualidade de vida apresentam maiores chances de melhora espontânea. Conforme a adolescência avança, as chances estatísticas de melhora tendem a diminuir, o que reforça a importância de intervenções precoces.

## Impacto a Longo Prazo e Metodologia

A dor recorrente ou incapacitante na infância e adolescência é reconhecida como um fator de risco para o desenvolvimento de condições crônicas na vida adulta. "Entender o curso dessa dor na infância permite identificar quem precisa de atenção precoce para possivelmente evitar que se tornem adultos com problemas de saúde persistentes", declarou Yamato. A dor crônica, como a lombar, representa um grande impacto na saúde global, gerando custos financeiros expressivos para os sistemas públicos. Tratar a condição em sua origem pode mitigar esses efeitos econômicos e sociais futuros.

O estudo, apoiado pela Fapesp, é pioneiro ao investigar o prognóstico da dor musculoesquelética em crianças e adolescentes, os fatores associados à recuperação e recorrência, e traz dados de países de baixa e média renda. A pesquisa selecionou voluntários de 28 escolas públicas e privadas no Ceará e em São Paulo, monitorando 694 jovens por 18 meses. As partes do corpo mais citadas foram as costas (51,3%), seguidas pelas pernas (42,5%) e pescoço (20,5%), embora a dor possa surgir em qualquer articulação, osso ou músculo.

A pesquisadora ressaltou que o termo "dor de crescimento" é muitas vezes usado de forma imprecisa, baseando-se mais em senso comum do que em evidências científicas. A falta de uma causa específica clara para essas dores leva a uma classificação inadequada, com a crença de que a dor desaparece com o crescimento. No entanto, a literatura científica aponta diversas consequências de não se abordar a condição com a devida cautela, uma vez que as causas exatas permanecem desconhecidas e a identificação muitas vezes depende do relato do paciente, não de exames de imagem.