Crianças são mais vulneráveis a envenenamento por escorpião, alerta especialista
Morte de menina de 11 anos no DF por picada de escorpião evidencia vulnerabilidade infantil. Especialistas alertam para gravidade dos sintomas em crianças e a urgência do soro antiescorpiônico.

A morte de Valentina Nobre Lima, uma menina de 11 anos que faleceu após ser picada por um escorpião no Distrito Federal, reacende o alerta sobre a vulnerabilidade infantil a envenenamentos causados por esses animais. Valentina estava internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde 12 de junho, intubada e em coma induzido, e veio a óbito no último domingo (5). A família relatou ter buscado atendimento do Corpo de Bombeiros e, posteriormente, teve acesso ao soro antiescorpiônico em um hospital regional.
Segundo Joelma Gonçalves Martin, especialista da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), crianças são significativamente mais suscetíveis aos efeitos do veneno de escorpião. Isso ocorre porque, ao receberem a mesma quantidade de toxina que um adulto, a menor massa corporal infantil faz com que a dose de veneno por quilo de peso seja maior. O veneno de escorpião, especialmente o do escorpião-amarelo – espécie amplamente distribuída no Brasil e responsável pelos acidentes mais graves –, contém toxinas que afetam o sistema nervoso, podendo causar problemas cardíacos e neurológicos graves, como ataque cardíaco, hipertensão, edema agudo de pulmão e convulsões.
As crianças possuem menor reserva fisiológica para lidar com essas alterações, o que intensifica os sintomas. Taquicardia, sudorese, variações de pressão arterial, agitação, sonolência, bradicardia e dor abdominal são alguns dos sinais que podem indicar um envenenamento grave. Embora as marcas da picada na pele sejam discretas, a dor intensa é um indicativo forte da necessidade de atendimento médico imediato, especialmente para crianças, idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido.
A rapidez no acesso ao soro antiescorpiônico é crucial para a recuperação. A pediatra ressalta a importância de os municípios mapearem os locais com disponibilidade do soro para agilizar o encaminhamento dos pacientes. Em casos de picada, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) ou o Corpo de Bombeiros (193) podem ser acionados para o transporte até hospitais de referência. Medidas como higiene no local da picada, elevação do membro afetado e administração de analgésicos via oral podem auxiliar no alívio da dor, mas não devem atrasar a busca por atendimento especializado.
Diante da maior vulnerabilidade infantil, a prevenção se torna ainda mais essencial. Especialistas recomendam orientar as crianças a tomarem cuidados como chacoalhar sapatos e roupas antes de usá-los, evitar brincar em locais com acúmulo de entulho ou buracos, e não se aproximar de trilhos de trem ou áreas com grande concentração de materiais de construção, locais frequentemente utilizados como esconderijo por escorpiões. A limpeza adequada dos ambientes e a eliminação de possíveis abrigos para os animais são medidas fundamentais para reduzir o risco de acidentes.