Condição neurológica rara faz pessoas se perderem em casa
Desorientação topográfica do desenvolvimento (DTD) é uma condição neurológica rara que impede a formação de mapas mentais, fazendo com que pessoas se percam em ambientes familiares, afetando até 1 em 30 indivíduos.

Uma condição neurológica pouco conhecida, chamada Desorientação Topográfica do Desenvolvimento (DTD), pode fazer com que pessoas se percam mesmo em ambientes familiares, como suas próprias casas. Estima-se que até 1 em cada 30 indivíduos possa ser afetado por essa incapacidade permanente de se orientar, que se manifesta desde a infância e não está ligada a lesões cerebrais, doenças neurológicas ou transtornos psiquiátricos.
Os pesquisadores observam que a DTD se manifesta de diversas formas, desde casos mais graves que levam à busca por ajuda profissional, até quadros mais leves, frequentemente interpretados como falta de senso de direção. A dificuldade reside na capacidade de formar um mapa cognitivo, uma representação mental do ambiente que integra pontos de referência e a relação entre eles e o indivíduo. Essa habilidade é crucial para a navegação flexível e automática.
Um subtipo específico dessa condição, denominado 'atopia', descreve indivíduos que não conseguem construir esse mapa cognitivo. Embora reconheçam pontos de referência, eles falham em integrá-los em uma representação espacial coesa. Isso significa que, mesmo sabendo que a casa fica perto da estação, por exemplo, essas informações permanecem desconectadas, impedindo a orientação quando um percurso habitual é alterado.
Um participante da pesquisa descreveu essa sensação: "Na minha cabeça, estou sempre em apenas um lugar, então não consigo imaginar como é o ambiente ao meu redor." A falta desse mapa mental torna a navegação dependente apenas do reconhecimento de pontos de referência, o que se torna insuficiente quando esses marcos não fornecem a conexão espacial necessária.
As consequências da atopia podem ser severas, levando a comportamentos de evitação de sair de casa ou a uma dependência excessiva de GPS. Esses comportamentos podem ser erroneamente interpretados como desatenção ou falta de inteligência, impactando negativamente a autonomia e a qualidade de vida dos afetados. Há relatos de pessoas que deixam de se deslocar sozinhas para locais além de poucas quadras de casa.
A boa notícia, segundo os pesquisadores, é que a DTD e a atopia não são condições degenerativas. A capacidade de navegação pode ser treinada, oferecendo esperança para o desenvolvimento de estratégias de apoio e reabilitação. A pesquisa atual visa diferenciar os diversos comprometimentos na navegação espacial para oferecer um suporte mais preciso e eficaz a quem sofre com a condição.