Cólicas Fortes Podem Indicar Endometriose, Alerta Médico
Cólicas menstruais incapacitantes podem ser um sinal de endometriose, doença que afeta 10% das mulheres. Especialistas alertam sobre a necessidade de investigação médica para diagnóstico precoce.

Cólicas menstruais intensas e incapacitantes não devem ser consideradas normais e podem ser um indicativo de endometriose, uma condição ginecológica que afeta aproximadamente 10% da população feminina. Especialistas alertam que a doença, caracterizada pela presença do endométrio fora do útero, frequentemente leva anos para ser diagnosticada devido à normalização da dor por parte das pacientes e de seus familiares.
## Sinais de Alerta da Endometriose
A endometriose manifesta-se principalmente através de dor pélvica. Pacientes frequentemente relatam dor durante o período menstrual, dor durante a relação sexual (dispareunia) e dor fora do ciclo menstrual, conhecida como dor acíclica. Sintomas relacionados ao sistema intestinal e urinário também podem estar associados à condição. A cirurgiã ginecológica Gabriela Rebelo e o cirurgião robótico Sérgio Conti Ribeiro, professor doutor do HC-FMUSP, enfatizam que a dor que impede as atividades diárias é um sinal crucial que necessita de investigação médica.
Gabriela Rebelo destaca que a dispareunia, ou dor durante o sexo, é um sintoma comum, podendo variar conforme a posição durante a relação. Ela também menciona que, durante o exame físico, o médico pode identificar nodulações próximas ao colo do útero ou uma redução na mobilidade uterina, que são achados que levantam a suspeita da doença.
## O Caminho para o Diagnóstico Correto
O diagnóstico da endometriose começa, segundo Gabriela Rebelo, quando a paciente reconhece que a dor que sente não é normal e busca atendimento médico. O profissional de saúde, ao investigar as características da dor – sua intensidade, periodicidade, relação com o ciclo menstrual e a presença de outros sintomas associados –, pode levantar a hipótese diagnóstica. A analogia utilizada por Sérgio Conti Ribeiro ilustra a condição: o endométrio, que normalmente reveste o interior do útero, aparece em outras regiões do corpo, como um carpete que se estende para fora da sala onde deveria estar confinado.
A normalização da dor, especialmente em jovens que iniciam o ciclo menstrual, é apontada como um fator que contribui significativamente para o atraso na identificação da doença. A persistência e a intensidade dessa dor mensalmente exigem uma investigação aprofundada para garantir um diagnóstico e tratamento adequados, visando melhorar a qualidade de vida das mulheres afetadas.