Cesáreas no SUS crescem e superam partos vaginais em gestações de baixo risco

Cesáreas no SUS aumentam 38% entre 2009-2023, superando partos vaginais em gestações de baixo risco. Fatores culturais, médicos e infraestruturais influenciam a tendência.

Cesáreas no SUS crescem e superam partos vaginais em gestações de baixo risco

O Brasil registra um aumento significativo no número de partos cesáreos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mesmo em gestações consideradas de baixo risco. Dados de uma pesquisa realizada por pesquisadores do Cepps, do Hospital Israelita Albert Einstein, revelam que, entre 2009 e 2023, a taxa de cesáreas no SUS teve um crescimento relativo de 38%, enquanto os partos vaginais caíram 39%. Essa tendência contrasta com esforços anteriores para reduzir procedimentos cirúrgicos desnecessários.

## Mudanças Regionais e Culturais

A análise, publicada na revista científica Einstein, também destacou variações regionais. O Nordeste, que tradicionalmente apresentava índices mais baixos de cesáreas, observou um crescimento expressivo. Apenas Roraima apresentou uma queda nos índices, passando de 19,4% para 6,8% no período.

Especialistas apontam que a persistência da ideia de que a cesárea é um procedimento mais moderno, seguro e menos doloroso, disseminada desde a década de 1970, contribui para essa realidade. O medo da dor, mesmo com a existência de analgesia garantida por lei, leva muitas mulheres a optarem pela via cirúrgica. A formação médica atual, com menor preparo em instrumentos como fórceps e vácuo extrator, também pode influenciar a preferência por cesáreas, segundo alguns ginecologistas.

## Infraestrutura e Escolha Materna

A infraestrutura hospitalar e a dinâmica das equipes de saúde também são fatores relevantes. A assistência ao parto vaginal demanda equipes treinadas e disponibilidade de profissionais, o que nem sempre ocorre. Médicos podem se sentir menos preparados para lidar com a imprevisibilidade de um trabalho de parto prolongado, optando pela cesárea. Além disso, a falta de espaços adequados para a espera e acompanhamento prolongado de gestantes pode desencorajar o parto normal.

Mudanças socioeconômicas e o aumento da escolaridade também parecem influenciar a escolha pelo parto cirúrgico. Algumas mulheres buscam o controle sobre a data e horário do nascimento, interpretando a escolha da via de parto como um direito e um reflexo de sua posição na sociedade. No entanto, quando realizadas sem indicação clínica, cesáreas eletivas aumentam os riscos de complicações para mãe e bebê, como hemorragias, infecções e recuperação mais lenta, além de potenciais problemas em gestações futuras.