Células do cordão umbilical: o que são e como funcionam?
Saiba mais sobre o congelamento de células do cordão umbilical, uma 'poupança biológica' que pode tratar doenças graves como leucemias e condições genéticas.

O congelamento de células do cordão umbilical, popularmente conhecido como "poupança biológica", tem ganhado atenção de pais que buscam garantir um futuro mais seguro para seus filhos. O procedimento envolve a coleta do sangue e do tecido do cordão umbilical logo após o nascimento, que são então armazenados em nitrogênio líquido a temperaturas extremamente baixas, cerca de 196°C negativos, para preservação. Essa técnica visa disponibilizar células-tronco que podem ser utilizadas no tratamento de diversas doenças graves no futuro, como leucemias e condições genéticas.
## O Processo de Coleta e Armazenamento
A coleta do sangue do cordão umbilical é um processo rápido, que dura aproximadamente quinze minutos, e ocorre após o nascimento do bebê e a separação do cordão. Uma equipe especializada aspira o sangue para uma bolsa, enquanto uma porção do cordão é separada. O material coletado é então transportado em um contêiner com controle de temperatura, evitando a exposição à radiação de raios-X para não danificar as células. Ao chegar ao laboratório, as células são processadas, recebem um anticongelante e são gradualmente resfriadas até atingirem a temperatura de armazenamento. Cada amostra é guardada em tanques de nitrogênio, sob rigorosas condições de segurança.
## Usos e Custos da 'Poupança Biológica'
As células-tronco do sangue de cordão são a fonte primária para transplantes de medula óssea, sendo indicadas para o tratamento de dezenas de doenças do sangue e do sistema imunológico, como leucemias, linfomas e anemias hereditárias. Além do sangue, o tecido do cordão pode fornecer células mesenquimais, associadas à regeneração de tecidos. Existem duas modalidades de armazenamento: em bancos públicos, onde a doação é gratuita e as células ficam disponíveis para qualquer paciente compatível, e em bancos privados, que cobram pela coleta e manutenção anual. O custo médio para a coleta em bancos privados gira em torno de R$ 4 mil, com uma taxa anual de aproximadamente R$ 1 mil para a manutenção do armazenamento. Apesar do potencial terapêutico, o uso de amostras armazenadas em bancos privados ainda é limitado, com um número reduzido de utilizações registradas ao longo de duas décadas.