Câncer de Pulmão: Diagnóstico Tardio Reduz Chances de Cura no Brasil
Câncer de pulmão é diagnosticado tardiamente no Brasil, com 90% dos casos em estágios avançados no SUS, dificultando a cura. Especialistas pedem exames anuais e programas de rastreamento.

O câncer de pulmão, uma doença frequentemente silenciosa, tem tido seus diagnósticos no Brasil concentrados em fases avançadas, o que compromete significativamente as chances de cura. Segundo dados analisados pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, a partir de 14.145 diagnósticos registrados no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2023, uma alarmante maioria de 89,6% dos pacientes foi identificada já nos estágios 3 ou 4 da doença. Isso significa que, de cada dez pacientes com estadiamento definido, apenas um descobriu o tumor em suas fases iniciais (estágios 1 e 2).
## Gargalos no Diagnóstico Precoce
O oncologista Igor Morbeck, membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, destaca que essa realidade brasileira espelha um cenário mundial preocupante, onde entre 70% e 80% dos cânceres de pulmão são detectados tardiamente. Ele atribui esse quadro a uma exposição crescente a fatores de risco, como tabagismo, sedentarismo, obesidade e má alimentação, que tornam a população brasileira mais suscetível ao desenvolvimento da doença. "O câncer de pulmão é um dos mais incidentes", alertou o especialista.
Morbeck recomenda a realização de tomografias anuais, especialmente para indivíduos com fatores de risco, como tabagistas e ex-tabagistas, ressaltando que o exame está disponível no SUS. Contudo, a ausência de um programa nacional de rastreamento para o câncer de pulmão é apontada como uma falha crítica. Os sintomas iniciais da doença, como tosse e falta de ar, são frequentemente confundidos com quadros de infecção ou outras doenças respiratórias, levando ao adiamento da busca por diagnóstico médico.
## Falta de Informação e Acesso Limitado
O estudo do Instituto Lado a Lado pela Vida também revelou lacunas na qualidade da informação oncológica pública, com 40% dos casos não apresentando dados sobre o tamanho do tumor ou a presença de metástases. O oncologista explica que um simples raio-X de tórax é insuficiente para uma avaliação precisa, e a falta de acesso a exames mais completos, como a tomografia, em unidades básicas de saúde contribui para o agravamento da situação. "Esses pacientes, muitas vezes, vão para casa com medicamentos, com antibióticos, e a doença só piora", lamentou Morbeck.
A situação é particularmente crítica em regiões com alta incidência de tabagismo, como o Sul e o Sudeste do Brasil. O médico alerta ainda para o crescente consumo de cigarros eletrônicos entre jovens, que representa um risco futuro de dependência e desenvolvimento da doença. A ausência de políticas públicas focadas na prevenção e diagnóstico precoce agrava a vulnerabilidade dos pacientes, que tendem a procurar o sistema de saúde apenas quando os sintomas se tornam severos.