Avós priorizam netos nas férias e arriscam saúde, alertam especialistas
Especialistas alertam que avós priorizam netos nas férias escolares, o que eleva em até 50% as faltas a consultas médicas. O adiamento de tratamentos e diagnósticos pode comprometer a saúde dos idosos.

## Aumento de faltas médicas durante as férias escolares
Com a chegada das férias escolares, um fenômeno pouco discutido vem chamando a atenção de especialistas em geriatria e gerontologia: o aumento significativo de idosos que deixam de comparecer a consultas médicas, exames e sessões de reabilitação. O motivo principal é a dedicação aos netos, que muitas vezes dependem dos avós como rede de apoio enquanto os pais trabalham. Estudos amostrais indicam que as faltas, que normalmente giram em torno de 20% a 30%, podem saltar para quase 40% durante o mês de julho, representando um acréscimo de 25% a 50% em relação ao padrão habitual. Em cidades como São Paulo, esse comportamento é notório, com médicos relatando que o número de faltas pode crescer em até 30% nesse período.
Eduardo Canteiro Cruz, diretor administrativo da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), explica que essa priorização do cuidado com os netos leva ao adiamento de necessidades importantes de saúde. Ele ressalta que o inverno não é o fator determinante, mas sim a integração dos avós na rotina familiar durante as férias.
## Consequências do adiamento de cuidados com a saúde
Para os profissionais de saúde, a ausência em consultas médicas durante as férias escolares acarreta consequências sérias. O atraso no acompanhamento pode levar a diagnósticos tardios, interrupção de tratamentos em andamento e comprometimento de processos de reabilitação. Em doenças crônicas ou graves, como o câncer, a perda de consultas pode aumentar os riscos para o prognóstico do paciente. Além disso, do ponto de vista do sistema de saúde público, a falta representa um recurso que deixa de ser aproveitado em um cenário de alta demanda.
Elcyana Bezerra Carvalho, conselheira da SBGG no Ceará, complementa que a interrupção de terapias de reabilitação pode fazer com que idosos percam avanços previamente conquistados, tornando-os mais vulneráveis. Ela diferencia a convivência prazerosa com os netos da sobrecarga de cuidados diários, que exige reorganização da rotina e pode levar ao adiamento de atividades físicas, descanso, participação social e acompanhamento médico, todos essenciais para um envelhecimento saudável.
## Equilíbrio entre cuidado familiar e autocuidado
Apesar do alerta, os especialistas reforçam a importância da convivência entre avós e netos, considerando-a uma oportunidade valiosa para fortalecer vínculos afetivos e criar memórias duradouras. O desafio, segundo a SBGG, reside em encontrar um equilíbrio saudável. A orientação é que o apoio oferecido pelos avós não ocorra às custas de sua própria saúde e bem-estar.
O período de férias, embora possa representar um aumento na carga de cuidados para os idosos, é visto como uma excelente janela para a criação de boas lembranças. Contudo, é fundamental que essa dedicação não resulte na negligência de consultas, exames e outros cuidados necessários para garantir a qualidade de vida na terceira idade. O autocuidado é um pilar essencial para que os avós possam desfrutar plenamente de seu papel e de sua saúde.