Alzheimer: Exames de Sangue Prometem Diagnóstico Precoce

Exames de sangue prometem diagnóstico precoce de Alzheimer, anos antes dos sintomas. Especialistas alertam para exclusão de causas reversíveis e avanços em tratamentos.

Alzheimer: Exames de Sangue Prometem Diagnóstico Precoce

O diagnóstico da Doença de Alzheimer, a forma mais comum de demência, é um processo complexo que exige a exclusão de outras condições de saúde que podem comprometer as funções cognitivas. Especialistas alertam que, inicialmente, é fundamental descartar causas reversíveis para os sintomas, como efeitos colaterais de medicamentos, depressão, diabetes descontrolado ou até mesmo disfunções da tireoide e deficiências vitamínicas.

O neurologista comportamental Jagan Pillai, da Cleveland Clinic, enfatiza a importância de um histórico médico detalhado para identificar essas causas. "Se as causas reversíveis são controladas, o paciente volta à sua vida normal", afirma. Após essa etapa, a investigação se aprofunda, e a participação da família ou de um cuidador se torna crucial para fornecer uma perspectiva externa sobre o estado do paciente.

A doença pode levar até 20 anos para se manifestar clinicamente, e em seus estágios iniciais, a pessoa ainda se mantém funcional em suas atividades diárias, embora com alterações cognitivas perceptíveis para observadores atentos. Tradicionalmente, o diagnóstico definitivo dependia de procedimentos invasivos e caros, como a análise do líquido espinhal ou PET cerebral, de acesso restrito no Brasil, limitado a hospitais universitários e centros de pesquisa.

No entanto, um avanço significativo tem sido a introdução de exames de sangue capazes de detectar as alterações biológicas associadas ao Alzheimer com até 15 ou 20 anos de antecedência, antes mesmo do surgimento dos sintomas. Embora atualmente disponíveis apenas na rede privada, esses testes representam um marco na detecção precoce.

Medicamentos que visam reduzir os níveis da proteína beta-amiloide, ligada ao risco da doença, já são aprovados nos Estados Unidos e no Brasil. Contudo, eles não representam uma cura e seu benefício é limitado em casos de demência moderada. Pesquisas futuras, como as que serão divulgadas em 2027, buscam utilizar esses medicamentos em indivíduos saudáveis com depósitos de beta-amiloide, visando retardar a progressão da doença antes que os sintomas se manifestem.

A conferência da Associação Internacional de Alzheimer, realizada em Londres, reforça a importância do debate global e da pesquisa contínua para aprimorar o diagnóstico e o manejo do Alzheimer e outras demências.