Zé Maranhão: O Pioneiro da Reeleição na Paraíba e o Racha Político
Zé Maranhão se tornou o primeiro governador da Paraíba a ser reeleito em 1998, após uma emenda constitucional. Sua vitória foi marcada por um rompimento político com o senador Ronaldo Cunha Lima.

José Targino Maranhão marcou seu nome na história política da Paraíba ao se tornar o primeiro governador do estado a conquistar uma eleição para um segundo mandato consecutivo. Essa façanha foi possível após a aprovação da Emenda Constitucional nº 16, em 1997, que permitiu a reeleição para chefes do executivo. Em 1998, Maranhão venceu no primeiro turno, em um pleito marcado por um dos mais significativos rompimentos políticos do estado, o que o separou de seu até então principal aliado, o senador Ronaldo Cunha Lima, membro do PMDB.
A permissão para a reeleição, promulgada em junho de 1997, alterou significativamente o panorama político, abrindo caminho para que José Maranhão buscasse a continuidade de seu governo, iniciado em 1995 após o falecimento de Antônio Mariz. Na época, Maranhão desfrutava de alta popularidade, impulsionada por obras de infraestrutura e pelo desempenho de sua primeira gestão. Seu discurso de campanha enfatizava a manutenção do projeto administrativo: "Nós vamos continuar no mesmo rumo, nós vamos continuar perseguindo as mesmas metas".
## Crise Interna e Rompimento
A busca pela reeleição, contudo, coincidiu com uma intensa crise interna no PMDB, com a disputa pela liderança do partido dividida entre José Maranhão e Ronaldo Cunha Lima. A rivalidade escalou durante a renovação do diretório estadual, onde Maranhão indicou Haroldo Lucena para a presidência, derrotando a indicação de Cunha Lima em convenção. Este evento deu início a uma guerra fria que culminou em um momento decisivo em março de 1998, durante a comemoração do aniversário de Ronaldo Cunha Lima em Campina Grande. A presença de Zé Maranhão, acompanhado de ordens de serviço para obras estaduais, foi interpretada como uma tentativa de pacificação, mas teve o efeito contrário.
Ronaldo Cunha Lima reagiu criticando assessores do governo por transformarem a festa em um ato político e lançou um ultimato público ao governador, declarando: "Ou você assume a posição de governador ou desista, porque eu assumirei”. Este episódio foi visto como o ponto final da divisão do grupo político, conforme relatado por Benjamim Maranhão, sobrinho de José Maranhão, que lamentou a separação e o impacto futuro na política paraibana.
## Convenção Histórica e Vitória Esmagadora
O rompimento levou a uma das convenções mais disputadas da história do PMDB na Paraíba. Roberto Paulino, então prefeito de Guarabira, foi escolhido como candidato a vice-governador na chapa de José Maranhão, em um pleito descrito como uma "guerra grande" entre "próprios companheiros de partido". Nas eleições de outubro de 1998, Maranhão obteve uma vitória expressiva, garantindo mais de 80% dos votos no primeiro turno, um recorde de votação proporcional para o governo da Paraíba desde a redemocratização. Ney Suassuna também foi reeleito senador na mesma ocasião.
Ao iniciar seu segundo mandato, José Maranhão sinalizou poucas mudanças na equipe de governo, mantendo o slogan "Austeridade e Desenvolvimento" e priorizando a continuidade administrativa. Uma das ações mais relevantes de sua segunda gestão foi a privatização da Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba (Saelpa) em 2000. Os recursos obtidos com a venda foram direcionados, segundo a visão de Maranhão, para o fortalecimento da infraestrutura hídrica do estado, com a expansão do Plano das Águas, incluindo a instalação de mais de 1.200 km de adutoras e a construção de 14 barragens.