Xi Jinping mantém visita aos EUA apesar de acusações de Trump sobre China

Xi Jinping mantém visita aos EUA em setembro, apesar de Trump acusar China de roubar dados eleitorais. Pequim nega interferência.

Xi Jinping mantém visita aos EUA apesar de acusações de Trump sobre China

Apesar das graves acusações de interferência eleitoral feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a China, o plano para a visita de Estado do líder chinês Xi Jinping a Washington, prevista para setembro, segue inalterado. Trump declarou na quinta-feira (16) que a República Popular da China realizou "a maior violação de dados eleitorais da história", alegando que Pequim tentou minar sua candidatura em 2020. O presidente americano afirmou que o governo chinês desejava sua derrota por ele ter imposto tarifas bilionárias e fortalecido as forças armadas dos EUA.

As declarações de Trump, embora não totalmente inéditas nem comprovadas, provocaram forte reação das autoridades chinesas. No entanto, o discurso americano não incluiu qualquer sugestão de punição ou represália contra a China. No dia seguinte, uma autoridade da Casa Branca confirmou que os preparativos para a visita de Xi Jinping continuavam em andamento.

## Relações EUA-China em Xadrez

Ainda que Trump tenha encarregado quatro agências federais de investigar o suposto encobrimento das informações sobre a China durante seu primeiro mandato, a sua conduta evidencia uma aparente relutância em perturbar o delicado equilíbrio nas relações com Pequim. Essa postura contrasta com o tom mais duro adotado em relação à interferência eleitoral, demonstrando uma possível obsessão em rediscutir a eleição de 2020, na qual foi derrotado por Joe Biden.

Nos últimos meses, Trump buscou cultivar laços pessoais com Xi Jinping, elogiando-o em diversas ocasiões. Em um discurso recente, ele expressou admiração pelo líder chinês e sugeriu uma parceria entre EUA e China para sediar a Copa do Mundo no futuro, minimizando as tensões diplomáticas.

## Posicionamento Chinês e Próximos Passos

Em resposta às acusações de Trump, o Ministério das Relações Exteriores da China negou veementemente as alegações, afirmando que não há "nenhuma base factual". O porta-voz Lin Jian reiterou o princípio de não interferência da China nos assuntos internos de outros países e criticou os EUA por "difamação indevida", pedindo ações mais propícias às relações bilaterais.

A estabilização das relações sino-americanas tem sido uma prioridade para a administração Trump, especialmente após um período de disputas tarifárias. Xi Jinping visitou Pequim em maio, e ambos os líderes têm encontros planejados para setembro em Washington. Há ainda a possibilidade de Trump retornar à China para a cúpula da APEC em novembro, em Shenzhen.