Voto Cruzado e Rejeição Definirão Disputa ao Senado na PB em 2026

Cientista político da UnB prevê que voto cruzado e baixa rejeição serão cruciais na disputa ao Senado na Paraíba em 2026, destacando alianças transversais.

Voto Cruzado e Rejeição Definirão Disputa ao Senado na PB em 2026

A corrida eleitoral para o Senado Federal na Paraíba em 2026 promete ser definida por dois fatores cruciais: o "voto cruzado" e a rejeição dos candidatos. A avaliação é do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), que destaca a crescente intensificação desse fenômeno na pré-campanha.

O voto cruzado, na prática, refere-se ao apoio de lideranças políticas a candidatos de chapas distintas, geralmente motivado por acordes de interesses mais localizados. Essa estratégia tem se tornado comum em estados com fortes lideranças regionais, como a Paraíba, onde o apoio a múltiplos candidatos ao Senado, mesmo de espectros políticos opostos, pode se tornar um "dos principais mecanismos de definição das duas cadeiras" em disputa.

Cenários recentes ilustram essa dinâmica: a vereadora Eliza Virgínia (PP) e prefeitos locais têm declarado apoio simultâneo a pré-candidatos governistas e de oposição. Essa flexibilidade nas alianças, segundo Medeiros, transforma a eleição senatorial em uma disputa mais aberta, onde a capacidade de construir "apoios transversais" entre prefeitos, deputados e lideranças regionais se torna mais importante do que a força de um único palanque.

## A Rejeição como Fator Decisivo

Além das alianças, o índice de rejeição dos candidatos desponta como um elemento determinante. Medeiros explica que as candidaturas com menor rejeição tendem a ser mais beneficiadas pela lógica do voto cruzado, pois conseguem dialogar com diferentes bases eleitorais. O desafio para esses postulantes é manter uma boa aceitação junto ao eleitorado, equilibrando os apoios recebidos com a percepção pública.

O cientista político ressalta que as pesquisas eleitorais captam com mais facilidade a preferência principal do eleitor. O segundo voto, no entanto, é mais volátil e suscetível à influência das alianças locais e à lógica do voto cruzado. Essa dinâmica pode ganhar força na reta final do pleito, especialmente se o candidato conseguir gerenciar seus apoios de forma equilibrada e manter baixa rejeição.

A análise de Murilo Medeiros sugere que a disputa ao Senado na Paraíba em 2026 exigirá dos candidatos uma habilidade ímpar de navegação política e uma forte conexão com o eleitorado local, indo além das tradicionais estratégias de campanha.