UE exige eleições transparentes na Nicarágua após recuo de Ortega

UE exige eleições transparentes na Nicarágua após governo de Daniel Ortega recuar de decisão de não realizá-las. Bloco condena repressão e pede liberdade a presos políticos.

UE exige eleições transparentes na Nicarágua após recuo de Ortega

A União Europeia (UE) exigiu nesta sexta-feira (24.jul.2026) que a Nicarágua realize eleições de acordo com o calendário original, garantindo que o processo seja "transparente, inclusiva e confiável", em conformidade com os padrões internacionais. A demanda surge após o presidente Daniel Ortega, que comanda o país ininterruptamente desde 2007, anunciar no último domingo (19.jul) que o país não realizaria mais eleições.

## Tensão Política e Exigências Internacionais

A UE expressou sua condenação à repressão sistemática praticada pelas autoridades nicaraguenses e pediu a libertação de presos políticos. "Apelamos às autoridades para que realizem eleições e garantam que elas ocorram como inicialmente planejado e sejam realizadas de maneira transparente, inclusiva e credível, de acordo com os padrões internacionais", afirmou o bloco europeu. A medida consolida o controle de Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, sobre o governo, com o Congresso avançando em reformas legais e constitucionais para institutionalizar a decisão. O presidente da Assembleia Nacional, Gustavo Porras, declarou que a Casa se prepara para impedir uma possível intervenção estrangeira.

## Recuo do Governo e Acusações de Interferência

Apesar da declaração inicial de Ortega, o governo nicaraguense, através da copresidente Rosario Murillo, voltou atrás e afirmou que o país realizará eleições. Em pronunciamento na quarta-feira (22.jul), Murillo acusou os Estados Unidos de tentarem interferir no processo eleitoral do país caribenho, declarando que tal interferência "jamais retornará à Nicarágua". Ela defendeu um pleito "livre, digno e soberano", afirmando que "eleições, sim, mas nossas próprias eleições", planejadas e organizadas a partir da soberania nacional. Contudo, o futuro político do país permanece incerto, com Murillo controlando o poder ao lado de Ortega desde 2025, quando uma reforma constitucional a alçou ao posto de copresidente. Ortega havia justificado a decisão anterior de não realizar novas eleições como uma medida para impedir que opositores, acusados de serem "golpistas" e "vendedores da Pátria", chegassem ao poder, e pediu reformas para endurecer o combate à oposição já perseguida.