TSE avalia uso de IA em vídeo de Bolsonaro em convenção do PL

TSE prevê questionamentos sobre vídeo de IA com Bolsonaro em convenção do PL. Debate envolve regras eleitorais para inteligência artificial e restrições impostas ao ex-presidente.

TSE avalia uso de IA em vídeo de Bolsonaro em convenção do PL

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antecipa potenciais questionamentos jurídicos após a exibição de um vídeo gerado por inteligência artificial (IA) que simulava um pronunciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. O material foi apresentado no último sábado (25) durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), em São Paulo, evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

## Discussão sobre IA na Eleição

Na gravação, identificada explicitamente como produzida por IA, Bolsonaro aparece em uma manifestação de apoio ao filho. A exibição do vídeo levanta debates sobre a aplicação das regras eleitorais vigentes para o uso de tecnologias de inteligência artificial e também sobre o alcance das restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao ex-presidente. Especialistas em Direito Eleitoral apontam que as normas do TSE devem ser observadas mesmo em período pré-eleitoral e em eventos como convenções partidárias.

## Limites da Legislação e Decisões Judiciais

Mesmo com a identificação do uso de IA, o caso pode ser levado à Justiça Eleitoral para que se avalie a regularidade do uso da imagem e voz de uma pessoa real em um contexto eleitoral. A resolução do TSE determina que conteúdos criados ou alterados por IA informem de maneira clara e acessível que foram fabricados ou manipulados, indicando a tecnologia empregada. A norma também proíbe a publicação de novos conteúdos sintéticos de candidatos ou figuras públicas, mesmo que identificados, em períodos específicos antes e depois da votação.

Contudo, o episódio pode ser analisado também sob a perspectiva das determinações de Alexandre de Moraes, que proibiu a divulgação de manifestos político-eleitorais de Bolsonaro. Advogados divergem sobre a interpretação, considerando se o vídeo representa apenas o uso da imagem pública ou uma forma indireta de disseminar manifestações político-eleitorais atribuídas a ele. A responsabilização de Bolsonaro, em prisão domiciliar, dependeria da comprovação de seu conhecimento, participação ou anuência na elaboração do vídeo, segundo especialistas. A tendência é que o caso seja analisado pelo STF para definir os limites do uso de IA e das decisões judiciais em campanhas eleitorais.