Trump troca de avião presidencial por questões de segurança
Donald Trump trocou de avião presidencial a caminho dos EUA após visita à Turquia por receio do Serviço Secreto sobre a segurança do novo modelo doado pelo Catar.

Durante seu retorno da Turquia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou uma versão anterior do Air Force One em vez da aeronave mais nova, doada pelo Catar. A decisão, segundo a imprensa americana, foi uma recomendação do Serviço Secreto devido a preocupações com a segurança do novo avião, que estaria sem alguns sistemas de defesa essenciais. A medida ganhou ainda mais relevância em um contexto de tensões regionais, com a retomada de ataques dos EUA contra o Irã no Golfo Pérsico.
Ao desembarcar em Ancara, Trump e os demais passageiros foram instruídos a manter as janelas fechadas. O presidente americano tentou minimizar a situação, declarando que o Irã era o "alvo número 1" e que estavam em "terreno perigoso". Naquele momento, bombas americanas atingiam o território iraniano, a menos de 2 mil quilômetros da capital turca.
O avião mais antigo pousou no Reino Unido, onde o novo Air Force One, que transportou Trump à Turquia, o aguardava para a viagem de volta a Washington. Em suas redes sociais, Trump atribuiu a troca a "velhos tempos" e à oportunidade para as tropas americanas conhecerem o novo avião. No entanto, fontes do governo e analistas ouvidos pelo New York Times indicaram que o Serviço Secreto solicitou a troca por receio de que o novo modelo não possuísse todos os sistemas de defesa da versão anterior.
A aeronave doada pelo Catar, avaliada em US$ 400 milhões, passou por adaptações de segurança que levantaram dúvidas sobre a sua completude. Parlamentares e membros do governo questionam se o tempo de um ano para as modificações foi suficiente, enquanto especialistas apontam que uma adaptação completa poderia levar até dois anos e custar US$ 1 bilhão. Imagens sugerem que o novo avião pode não ter os mesmos sistemas de detecção e evasão de mísseis, nem reforço contra pulsos eletromagnéticos.
O Serviço Secreto e a Força Aérea não comentaram o caso. A Casa Branca, por meio de seu diretor de Comunicações, Steven Cheung, afirmou que o jato do Catar é "de última geração" e possui "protocolos de segurança de alto nível". Cheung acrescentou que a administração utiliza "todas as ferramentas à disposição, incluindo distração e desinformação", para lidar com ameaças ao presidente.
A doação do Boeing 747-8 pelo Catar ocorreu em meio a pressões de Trump para acelerar a entrega de novos aviões presidenciais fabricados nos EUA, um processo que enfrenta atrasos e custos elevados, com previsão de conclusão apenas em 2028. A Casa Branca aceitou a oferta catariana em 2025, com a condição de uso temporário da aeronave.