Trump opta por antigo Air Force One e adia uso de jato do Catar

Donald Trump volta a usar o antigo Air Force One, deixando de lado o novo jato presenteado pelo Catar após questionamentos sobre segurança e custos. O modelo antigo é escolhido por 'nostalgia'.

Trump opta por antigo Air Force One e adia uso de jato do Catar

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu retornar ao uso de uma versão mais antiga do Air Force One para um voo da Turquia ao Reino Unido, em uma reviravolta que reacende o debate sobre a segurança e a adequação de uma aeronave Boeing 747 reformada, presente do Catar. A nova aeronave, apresentada há poucas semanas, foi deixada de lado para esta ocasião.

A viagem à Turquia, que marcou a estreia internacional do novo jato presidencial, ocorreu após meses de escrutínio sobre o luxuoso presente. A aeronave catariana serve como um substituto temporário, uma vez que a Boeing enfrenta atrasos significativos na entrega dos novos Air Force One de última geração.

Críticas apontaram preocupações com os custos, a segurança e a velocidade da modernização do jato. Trump, em declaração na rede social Truth Social, justificou a escolha do modelo mais antigo pela "nostalgia", enquanto a nova aeronave visitaria a mesma base militar no Reino Unido para que os militares pudessem conhecê-la.

A nova aeronave em questão é um Boeing 747 doado pelos Emirados Árabes Unidos no ano passado e que passou por reformas pela L3Harris Technologies. O design exterior, com cores vermelho, branco, azul escuro e dourado, foi escolhido por Trump, rompendo com o visual tradicional do Air Force One.

O recebimento e a adaptação do jato geraram controvérsias. Especialistas apontaram a necessidade de atualizações de segurança, melhorias em sistemas de comunicação para evitar interceptações e a instalação de defesas antimísseis. Parlamentares democratas estimaram o custo da conversão em mais de US$ 1 bilhão, levantando receios sobre a segurança da aeronave, cuja reforma acelerada pode ter pulado etapas planejadas para o modelo definitivo.

Autoridades da Força Aérea garantem que a aeronave atende aos padrões presidenciais, com o secretário da Força Aérea, Troy Meink, afirmando que "todos os requisitos foram meticulosamente avaliados".

A aeronave do Catar funciona como um modelo de transição enquanto a Boeing trabalha na produção de dois 747-8 construídos especificamente para o serviço presidencial. O programa, contudo, está atrasado em quatro anos, com entregas previstas apenas para meados de 2028. Isso levanta a possibilidade de Trump não ter um novo avião fabricado nos EUA antes do fim de seu mandato em janeiro de 2029. Os custos do programa da Boeing já ultrapassaram os US$ 5 bilhões.