Trump oferece a Putin mediação para fim da guerra na Ucrânia
Donald Trump ofereceu a Vladimir Putin ajuda para solucionar a guerra na Ucrânia em ligação telefônica. Rússia busca resolução diplomática, enquanto Ucrânia e EUA buscam fim rápido dos combates.

Em um diálogo telefônico que se estendeu por aproximadamente 90 minutos no último sábado (4), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou a Vladimir Putin, seu homólogo russo, a disposição em auxiliar na busca por uma solução para a guerra na Ucrânia. A informação foi divulgada por Yuri Ushakov, assessor do Kremlin, neste domingo (5).
Segundo Ushakov, a oferta de Trump ocorreu em um momento estratégico, com o presidente americano prestes a participar da cúpula da OTAN na Turquia na semana seguinte. A conversa, descrita como "profissional e bastante construtiva" pelo lado russo, reforça a intenção declarada por Trump de trabalhar por um fim rápido dos combates e pela superação da crise ucraniana, conforme relatado por Ushakov.
A Rússia, por sua vez, reiterou sua busca por uma "resolução político-diplomática do conflito", enfatizando a necessidade de considerar as premissas fundamentais de Moscou. Ushakov aproveitou para acusar Kiev e seus aliados europeus de "apostarem na extensão e até na escalada do conflito, e no terrorismo contra civis", em alusão a ataques ucranianos contra alvos russos, especialmente na indústria petrolífera, que teriam gerado escassez de combustível em algumas regiões da Rússia.
O assessor russo também apresentou a perspectiva de Putin sobre o andamento das operações militares, afirmando que as forças russas estariam "avançando com confiança, libertando uma localidade após a outra". Essa narrativa contrasta com as declarações do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e do Estado-Maior da Ucrânia, que negaram a captura russa da cidade estratégica de Kostiantynivka, na região de Donetsk, no leste ucraniano, controlada por Kiev.
A Rússia mantém sua exigência de controle total sobre a região de Donbas como condição para qualquer solução, uma demanda veementemente rejeitada pela Ucrânia. Zelensky já havia proposto um encontro presencial com Putin no mês passado, mas o líder russo recusou a oferta.
Ushakov mencionou ainda que Trump informou sobre a continuidade dos esforços de seus enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner, na mediação de um acordo, com potencial para uma nova visita a Moscou. Esses esforços diplomáticos americanos, no entanto, enfrentam um cenário complexo, com Washington aparentemente mais focado em questões relacionadas ao Irã.
Por outro lado, Zelensky descreveu sua própria conversa com Trump como "muito boa", destacando a discussão sobre a linha de frente da guerra e a "perspectiva real de acabar com esta guerra", na qual a "determinação americana terá um significado crucial". Ambos os líderes concordaram em aprofundar as discussões durante a cúpula da OTAN.
A conversa ocorreu no Dia da Independência dos Estados Unidos, data marcada por mensagens e eventos relacionados ao país, incluindo uma carta de felicitações de Putin a Trump pelos 250 anos da nação americana.