Trump intensifica crise com Irã para forçar negociações
Professor analisa que Trump intensifica conflito com Irã e apoia bloqueio no Mar Vermelho para forçar negociações, em meio a disputa geopolítica pelos estreitos estratégicos.

A crescente tensão entre Estados Unidos e Irã atingiu um novo patamar com ataques americanos em território iraniano e a ameaça de bloqueio de rotas marítimas vitais para o comércio global de petróleo. Segundo Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, a estratégia do presidente Donald Trump seria justamente intensificar a crise para compelir o Irã a reabrir negociações.
## Escalada militar e objetivos estratégicos
Os Estados Unidos comunicaram o fim de uma série de ataques que atingiram o litoral e áreas produtoras de petróleo do Irã. Moita interpreta essa ação como uma manobra calculada de Trump para criar um cenário de pressão. "Trump está escalando para criar uma crise e forçar os iranianos a negociar", explicou o professor. Apesar da eficácia tática dos ataques, o especialista avalia que eles não foram suficientes para neutralizar a capacidade estratégica do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, uma das passagens mais importantes para o transporte de petróleo no mundo.
## O papel dos Houthis e a geopolítica dos estreitos
Diante desse cenário, o Irã teria mobilizado o grupo Houthi, no Iêmen, para o bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb, outro ponto estratégico para a navegação internacional. Moita ressaltou que essa movimentação era esperada, citando um recente ataque ao aeroporto de Sanaa, onde, segundo relatos, uma delegação da Guarda Revolucionária iraniana estaria presente para fornecer apoio técnico e planos aos Houthis para viabilizar o bloqueio. A estratégia iraniana, segundo o professor, é usar a "arma da geografia" para afetar a economia global e impor custos aos Estados Unidos, pressionando o fornecimento de energia.
## Disputa pela "vantagem" e perspectivas de diálogo
Ambos os lados parecem acreditar estar em uma posição de força, um conceito conhecido como "upper hand", o que, na avaliação de Moita, dificulta as perspectivas de um acordo no momento. O Irã se sentiria fortalecido por controlar a capacidade de fechar os estreitos, enquanto os Estados Unidos apostam na pressão militar para superar a resistência iraniana. Essa dinâmica de disputa pela "vantagem" torna o cenário de negociações complexo e incerto.