Trump Esvazia Comissão Eleitoral Crucial nos EUA
Trump demite liderança da Comissão de Assistência Eleitoral dos EUA, órgão federal de apoio eleitoral, gerando críticas e temores de interferência.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu os dois integrantes democratas da Comissão de Assistência Eleitoral (EAC), órgão federal responsável por fornecer apoio técnico e financeiro à administração eleitoral nos estados. A medida, que ocorreu na última quinta-feira (9 de julho de 2026), deixou a comissão sem comando e gerou apreensão entre autoridades eleitorais sobre possíveis interferências no processo democrático.
Thomas Hicks, que ocupava a presidência da EAC, e Benjamin Hovland foram notificados por e-mail sobre o encerramento imediato de seus mandatos. Com a saída de Christy McCormick, republicana, e a vaga já existente deixada por Donald Palmer, também republicano, a composição da comissão foi drasticamente reduzida. A EAC necessita da concordância de três de seus quatro integrantes para aprovar decisões, o que se torna inviável com a atual configuração.
## Críticas e Preocupações
O secretário de Estado do Arizona, Adrian Fontes, classificou as demissões como "irresponsáveis e perigosas", alertando que a ação enfraquece a administração eleitoral apartidária. Ele criticou o que chamou de "caos" causado pelo governo Trump para as autoridades eleitorais em todo o país, minando a integridade do processo.
Criada pelo Congresso em 2002 após as disputas eleitorais de 2000, a EAC é a única agência federal dedicada exclusivamente à administração eleitoral. Embora não controle cédulas ou cadastros de eleitores diretamente, o órgão presta suporte técnico, distribui recursos para segurança eleitoral e certifica sistemas de votação. Sua função se tornou ainda mais relevante após o esvaziamento da Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos EUA (CISA) pelo governo Trump, deixando a EAC como uma das poucas entidades federais de apoio à segurança eleitoral.
## Contexto de Decisões Presidenciais
A Casa Branca, segundo a agência Reuters e o jornal Politico, justificou a decisão afirmando que Trump, como chefe do Executivo, tem o direito de afastar indivíduos que não estejam "totalmente alinhados" com a tarefa de proteger as eleições. Essa movimentação ocorre dias após a Suprema Corte ter ampliado o poder presidencial para demitir dirigentes de agências federais independentes, o que intensificou os temores sobre o futuro da EAC.
Em março de 2025, Trump já havia assinado um decreto exigindo prova de cidadania em formulários nacionais de registro eleitoral, uma medida que foi bloqueada por um juiz federal. Tentativas de impedir o repasse de recursos a estados que não adotassem essa exigência também falharam. Um ex-funcionário da EAC, em declarações à CNN, expressou preocupação com a independência da agência, afirmando que o Congresso jamais a teria criado sem garantias contra interferências da Casa Branca.
O Brennan Center for Justice, organização progressista que defende o direito ao voto, também condenou as demissões, destacando que a agência ficou "sem liderança e incapaz de cumprir suas principais responsabilidades" em um momento crítico.