Trump é acusado de promover empresas em rede social após comprar ações
Investigação aponta que Donald Trump promoveu mais de 20 empresas na Truth Social após comprar ações delas, levantando questões éticas.

Uma investigação da CNN revelou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou a rede social Truth Social para promover mais de 20 empresas nas quais adquiriu ações poucos dias antes. Em alguns casos, Trump mencionou ações governamentais que poderiam beneficiar as companhias em que havia investido recentemente.
## Postagens e Investimentos
No ano passado, Trump fez mais de 6 mil publicações na Truth Social, frequentemente compartilhando suas opiniões sobre grandes corporações. A análise comparou um banco de dados de posts de Trump com sua declaração financeira anual, identificando dezenas de casos onde ele mencionou empresas em que havia comprado ou vendido ações recentemente. A investigação sugere que Trump realizou pelo menos 44 compras de ações de 21 empresas diferentes na semana anterior a publicar mensagens elogiosas sobre elas, seus executivos ou produtos.
Algumas das postagens continham comentários diretos de Trump, enquanto outras citavam CEOs das empresas ou links para notícias favoráveis. Em outras ocasiões, Trump fez compras de ações pouco antes de postar mensagens mais genéricas sobre mudanças políticas que poderiam beneficiar essas empresas, sem mencioná-las diretamente. Por outro lado, houve pelo menos 17 casos em que Trump publicou mensagens negativas sobre empresas ou seus executivos após adquirir ações delas.
## Defesa da Casa Branca e Críticas
A Casa Branca negou veementemente qualquer uso do cargo para obter ganhos financeiros, afirmando que as ações de Trump visam o benefício público. Segundo a administração, todas as transações de ações do presidente são conduzidas por gestores financeiros externos, e Trump e sua família não controlam essas operações. A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, declarou que os ativos do líder são "mantidos em contas totalmente discricionárias administradas por instituições financeiras independentes" e que Trump "age apenas no melhor interesse do público americano".
No entanto, diferentemente de muitos presidentes anteriores, Trump não colocou seus ativos em um fundo fiduciário cego, o que permitiria que ele soubesse quais ações seus gestores estavam comprando ou vendendo. Especialistas jurídicos apontam para um potencial conflito ético, especialmente considerando que Trump apoiou a proibição de negociação de ações para membros do Congresso, mas criticou a aplicação de um padrão semelhante aos presidentes. Não há evidências concretas de que Trump tenha publicado sobre empresas específicas com o único intuito de impulsionar seu portfólio, e a maioria de suas negociações não foi seguida por posts relevantes.