Trump Demite Liderança de Agência Chave para Segurança Eleitoral nos EUA

Trump demite liderança da Comissão de Assistência Eleitoral dos EUA, agência chave para segurança e financiamento de eleições, gerando temores de interferência.

Trump Demite Liderança de Agência Chave para Segurança Eleitoral nos EUA

A Casa Branca, sob o comando do presidente Donald J. Trump, promoveu nesta quinta-feira (9) a demissão da liderança da Comissão de Assistência Eleitoral (EAC), agência federal bipartidária responsável por fornecer financiamento e orientações de segurança a autoridades eleitorais nos Estados Unidos. A medida, confirmada por fontes próximas ao assunto e por um e-mail interno obtido pela CNN, já gera apreensão entre especialistas e gestores eleitorais sobre o impacto na segurança e na imparcialidade das próximas eleições.

Um comunicado enviado por um funcionário da Casa Branca a pelo menos um dos comissários demitidos informou o encerramento imediato de seus cargos, agradecendo pelos serviços prestados. A EAC, criada pelo Congresso em 2002, tem como atribuição a certificação de equipamentos de votação e a distribuição de centenas de milhões de dólares em apoio federal para a realização de pleitos. Sua atuação é considerada crucial, especialmente após o esvaziamento de outras entidades federais com foco em segurança cibernética eleitoral, como a CISA.

A agência tem enfrentado um cenário delicado, buscando equilibrar a necessidade de defender autoridades eleitorais que têm sido alvo de ameaças violentas, muitas vezes alimentadas por teorias da conspiração propagadas pelo próprio presidente, e a pressão para não desagradar o governo. Críticos apontam que a EAC teria falhado em oferecer proteção adequada a esses profissionais.

## Preocupações com Integridade e Interferência

Adrian Fontes, secretário de Estado do Arizona e membro do Partido Democrata, classificou a decisão como "irresponsável e perigosa", argumentando que a medida mina a integridade da administração eleitoral apartidária e visa criar caos entre os gestores eleitorais do país. A preocupação é que a ausência de liderança na EAC possa comprometer sua capacidade de oferecer suporte técnico e financeiro essencial aos estados.

A decisão recente da Suprema Corte, que reafirmou o poder do presidente em demitir líderes de agências independentes, intensificou os temores sobre o futuro da EAC. Anteriormente, a agência já havia sido o foco de uma ordem executiva de Trump que visava reformular as eleições em 2025. A ordem exigia a inclusão de prova de cidadania nos formulários federais de registro de eleitores e pressionava os estados a adotarem prazos rígidos para o recebimento de votos por correio. No entanto, essa ordem foi amplamente bloqueada pela Justiça, que considerou que o presidente não possuía autoridade unilateral para tais determinações.

## Legado de Tensões e Críticas

Ex-funcionários da EAC expressaram pessimismo, indicando que a agência já estava sob escrutínio desde decisões judiciais anteriores e a ordem executiva. Para eles, as demissões de hoje selam o destino da EAC, que foi concebida para ser independente e protegida de interferências da Casa Branca. O Brennan Center for Justice, organização voltada à defesa do direito ao voto, também condenou as demissões, alertando que a agência fica "sem liderança e incapaz de cumprir suas principais responsabilidades", ressaltando os "esforços incessantes do presidente Trump para tentar interferir nas eleições."