Trump declara fim de acordo com Irã após troca de ataques

Donald Trump declara fim de acordo com Irã após troca de ataques. EUA e Irã trocam acusações e hostilidades na região.

Trump declara fim de acordo com Irã após troca de ataques

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (8/7) que o acordo de cessar-fogo com o Irã "acabou", classificando as negociações com Teerã como "puro perda de tempo". As declarações foram feitas em Ancara, na Turquia, durante a cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), e ocorrem após uma nova escalada de hostilidades na região.

Trump descreveu o Irã como "doente", "maldoso e violento" e "jogadores sujos", acusando o país de atacar embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. Ele afirmou que o memorando de entendimento firmado com Teerã praticamente entrou em colapso e que os EUA "estão perdendo tempo" ao insistir na via diplomática, preferindo "fazer o nosso trabalho".

A fala do presidente americano é uma resposta direta aos ataques retaliatórios lançados pelo Irã contra o Bahrein e o Kuwait na madrugada de quarta-feira. Segundo a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, as ofensivas foram uma resposta aos bombardeios aéreos realizados horas antes pelos Estados Unidos contra território iraniano. Ambos os países árabes atingidos abrigam bases militares americanas.

O Irã, por sua vez, através de seu Ministério das Relações Exteriores, acusou os Estados Unidos de "violação flagrante" do memorando de entendimento, atribuindo aos EUA a responsabilidade pela escalada das hostilidades. Segundo o governo iraniano, a decisão americana de restabelecer sanções ao petróleo do Irã e os combates em curso no Líbano "tornaram ineficazes partes importantes e fundamentais" do acordo para encerrar a guerra.

O memorando de entendimento entre os dois países foi assinado em 18 de junho, com o objetivo de estabelecer um arcabouço para negociações visando um cessar-fogo definitivo. No entanto, o Irã alega que a revogação de licenças e as sanções demonstram a "má-fé, inconsistência e falta de confiabilidade do governo dos EUA".

Enquanto Trump sinaliza o fim do diálogo, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que se reuniu com o presidente americano na Turquia, apoiou as ações militares dos Estados Unidos contra o Irã, classificando-as como "absolutamente necessárias". A troca de ataques e as declarações acirram as tensões no Oriente Médio, com impactos já sentidos nos mercados globais, como o disparo nos preços do petróleo.