Trump bloqueia retorno de opositora venezuelana após terremotos
Governo Trump impede retorno de María Corina Machado à Venezuela, classificando sua tentativa como 'oportunismo político' em meio à crise pós-terremotos.

O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, vetou as tentativas da proeminente líder opositora venezuelana María Corina Machado de retornar à Venezuela. A decisão foi comunicada por autoridades americanas, que classificaram a movimentação de Machado como "oportunismo político e grotesco", em um momento delicado para o país, que busca se recuperar dos devastadores terremotos ocorridos em 24 de junho, os quais causaram mais de 3.500 mortes.
Fontes do governo Trump, citadas pelo site Axios, relataram que a iniciativa da opositora gerou "drama desnecessário" no Departamento de Estado, sendo considerada contraproducente para os esforços de ajuda humanitária. "Adicionar questões políticas sensíveis a essa situação neste momento é contraproducente para nossos esforços de ajuda após essa tragédia", justificou um funcionário do Departamento de Estado, ecoando a percepção de que Machado tentava associar sua imagem à assistência norte-americana.
## Viagens frustradas e críticas internas
O atrito se intensificou quando María Corina Machado sinalizou a autoridades americanas seu desejo de participar da gestão da ajuda humanitária e exigiu garantias de segurança. Um alto funcionário do governo dos EUA expressou preocupação, questionando se a intenção seria "instalar" a opositora no poder, especialmente se ela estivesse ao lado de fuzileiros navais americanos. Críticas internas apontaram que a opositora buscava "uma foto para mostrar distribuindo nossa ajuda", indicando um foco em seus próprios interesses.
As tentativas de retorno de Machado foram frustradas em datas recentes. Em 26 de junho, dois dias após os terremotos, ela tentou voar de Manassas, na Virgínia, com destino a Curaçao, que serviria de escala para entrar na Venezuela. No entanto, o voo fretado foi impedido de prosseguir devido a uma falha de comunicação que levou as autoridades holandesas a crerem que Washington apoiava a operação. Posteriormente, em 28 de julho, a opositora estava na Cidade do Panamá e sua tentativa de embarcar para Caracas foi barrada pela Copa Airlines.
## Contexto do Prêmio Nobel e relação com Trump
A situação ocorre em um contexto complexo da relação entre Machado e o governo americano. Em janeiro de 2026, Machado entregou sua medalha do Prêmio Nobel da Paz ao presidente Donald Trump. A escolha de Machado para o prêmio, segundo o Comitê Norueguês do Nobel, foi "por seu trabalho incansável promovendo os direitos democráticos para o povo da Venezuela e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia". A premiação havia desagradado Trump, que manifestara publicamente seu desejo de receber a honraria. A entrega simbólica foi vista como um reconhecimento ao "compromisso único" de Trump com a liberdade venezuelana, embora o Instituto Nobel tenha ressaltado que o prêmio é intransferível.