Tereza Cristina vê espaço para ser vice de Flávio Bolsonaro
Senadora Tereza Cristina mantém esperança de ser vice de Flávio Bolsonaro, apesar do veto do PP e da declaração de neutralidade do partido na corrida presidencial.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) reiterou nesta segunda-feira (3) que ainda vê espaço para ser a candidata a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), apesar de seu partido, o Progressistas, ter vetado sua liberação e declarado neutralidade na corrida presidencial. A declaração ocorreu em meio a conversas com jornalistas na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
## Negociações e Veto Partidário
Na última sexta-feira (31), o PP divulgou uma nota oficial informando que, após consulta aos diretórios estaduais, decidiu permanecer neutro na eleição presidencial, o que impediu a liberação de Tereza Cristina para compor a chapa do PL. A senadora, que é líder do PP no Senado, afirmou que colocou seu nome à disposição, mas que a decisão final caberia à direção do partido. "O partido, quando me disse que ia continuar na neutralidade, eu como uma pessoa de partido, eu me calo e digo que essa é a posição majoritária do PP. Mas, é claro, ainda tem um tempo, as conversas continuam com os partidos e agora é aguardar", disse Tereza Cristina. Ela também admitiu que a "chance hoje diminuiu bastante", mas ressaltou que "até a hora final tem espaço".
Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou respeitar a decisão do PP, mas declarou que "sou brasileiro, não desisto nunca", indicando que ainda buscará reverter a situação. O senador já havia anunciado o aceite de Tereza Cristina como vice, mas foi desautorizado pelo partido horas depois. O PL oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro em 25 de julho, com a promessa de ter uma mulher na chapa, mas ainda não definiu oficialmente o vice.
## Resistências e Alianças
Uma eventual composição com Tereza Cristina não depende apenas de uma mudança de posição do PP. O partido integra uma federação com o União Brasil, que também sinalizou preferir a neutralidade na disputa presidencial. Para que a chapa se concretize, Flávio Bolsonaro precisaria superar as resistências de ambas as siglas. O nome de Tereza Cristina ganhou força no último mês, sendo considerada um "sonho de consumo" por aliados de Flávio, especialmente no setor do agronegócio, que pressiona por sua entrada na campanha.
O PL busca ampliar suas alianças para aumentar o tempo de propaganda eleitoral e reduzir a percepção de isolamento político. Além de Tereza Cristina, outros nomes como Daniella Marques (ex-presidente da Caixa), Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE) foram mencionados como possíveis vices. No entanto, qualquer indicação depende da aprovação dos partidos envolvidos, com a data limite para definição das candidaturas em 5 de agosto. Em declaração anterior, na sexta-feira (31), a senadora já havia comentado o fim das articulações, lamentando a negativa: "O que foi está posto, o partido vai manter a neutralidade. Não sou candidata independente. Preciso que o partido avalie isso. Se o partido manteve neutralidade, eu sinto. Vamos ficar firmes na campanha do Flávio".