Terceiros colocados em eleições presidenciais: um olhar histórico
Análise histórica das eleições presidenciais de 2014, 2018 e 2022 mostra que candidatos em terceiro lugar nas pesquisas, a três meses do pleito, não chegaram ao segundo turno.

A proximidade das eleições presidenciais de 2026 e o início da divulgação das primeiras pesquisas de intenção de voto reaquecem o debate político no Brasil. Nesse contexto, uma análise do desempenho de candidatos que ocuparam a terceira posição nas disputas anteriores – 2014, 2018 e 2022 – revela um padrão histórico desafiador para quem almeja chegar ao segundo turno.
O levantamento aponta que, em todas as últimas três eleições presidenciais, os postulantes que figuravam em terceiro lugar nas pesquisas a cerca de três meses do pleito não conseguiram reverter a situação para alcançar a fase decisiva da disputa. Embora o cenário eleitoral seja dinâmico, sujeito a reviravoltas, alianças estratégicas e fatos políticos imprevistos, o retrospecto serve como um importante termômetro.
## Marina Silva: a reviravolta de 2014
Na eleição de 2014, após a trágica morte de Eduardo Campos, Marina Silva assumiu a candidatura do PSB e chegou a apresentar um desempenho expressivo, inclusive liderando algumas pesquisas em determinado momento. Contudo, a três meses da votação, com a campanha em curso, Marina Silva viu sua força diminuir. Ao final do primeiro turno, ela se consolidou na terceira posição, atrás de Dilma Rousseff e Aécio Neves, que disputaram o segundo turno. Este episódio é frequentemente citado como uma das mudanças mais drásticas na dinâmica de uma campanha presidencial recente.
## Ciro Gomes e a polarização de 2018
Em 2018, a eleição foi marcada por uma forte polarização entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Nesse cenário, Ciro Gomes, candidato pelo PDT, conseguiu se firmar como o terceiro nome na corrida eleitoral durante boa parte da campanha. Apesar de oscilações e de ter apresentado crescimento em determinados momentos, Ciro não obteve força suficiente para ultrapassar Haddad nas semanas finais, encerrando o primeiro turno novamente na terceira colocação. A disputa presidencial foi decidida no segundo turno, com a vitória de Bolsonaro.
## Simone Tebet: crescimento insuficiente em 2022
Já na eleição de 2022, Simone Tebet (MDB) protagonizou uma das campanhas com maior ascensão no decorrer do período eleitoral. Seu crescimento, embora notável, não foi o bastante para romper a polarização estabelecida entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. Tebet finalizou o primeiro turno na terceira posição, com uma votação consideravelmente superior àquela vista no início de sua campanha, mas ainda assim distante dos dois candidatos que avançaram para a disputa final.
## O histórico e as projeções para 2026
O histórico das últimas três eleições presidenciais reforça a ideia de que a terceira colocação nas pesquisas, a uma distância de aproximadamente três meses da votação, raramente se traduz em uma vaga no segundo turno. A série histórica sugere que a superação dessa marca requer uma alteração consistente e significativa na tendência de voto nas semanas decisivas, algo que não se concretizou nas disputas de 2014, 2018 e 2022. O desempenho desses candidatos serve de alerta e ponto de reflexão para as estratégias a serem adotadas na próxima corrida presidencial.