Temer faz mea-culpa sobre liberação de apostas esportivas em seu governo

Ex-presidente Michel Temer admite não aplaudir liberação de apostas esportivas em seu governo e pede regulamentação rigorosa. Ele também comenta atuação no caso Banco Master e relações com Lula e Dilma.

Temer faz mea-culpa sobre liberação de apostas esportivas em seu governo

O ex-presidente Michel Temer (MDB) admitiu que não aplaude a decisão de seu governo de liberar as apostas esportivas (bets) no Brasil. Em entrevista, Temer expressou um mea-culpa sobre o ato, afirmando que, embora não se arrependa por saber que a regulamentação viria posteriormente, ele não pode endossar a medida.

Temer explicou que a autorização das apostas esportivas foi vista, naquele momento, como uma alternativa à forte pressão pela liberação de cassinos no país, que enfrentava considerável resistência. Ele descreveu a decisão como um "mal menor" que o levou a assinar a liberação.

## Críticas e Sugestões para o Setor

O ex-presidente defendeu a necessidade de uma "regulamentação rigorosa" e uma "fiscalização especialíssima" para o setor de apostas. Ele também sugeriu a possibilidade de restrições para determinados grupos, como beneficiários do Bolsa Família, visando um controle mais efetivo.

## Atuação no Caso Banco Master e Relações Políticas

Temer também comentou sua atuação como contratado pelo Banco Master antes do agravamento da crise da instituição. Segundo ele, sua função era buscar uma composição com agentes do mercado financeiro para uma "liquidação privada", mas não obteve sucesso e se afastou do caso. Ele mencionou que o banco não quitou o valor total combinado, apesar de dados da Receita indicarem um pagamento de R$ 10 milhões ao escritório de Temer em 2025.

Na mesma entrevista, o ex-presidente abordou suas relações políticas. Ele afirmou que não conversou com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde que ele retornou ao poder, exceto por uma breve interação durante a campanha e na posse de Alexandre de Moraes no TSE. Temer disse entender que Lula use o termo "golpe" para agradar parte de seu partido. Sobre Dilma Rousseff, de quem foi vice, Temer declarou que não voltou a falar com ela desde o impeachment, e que ela também não o procurou.

Temer também comentou sua relação com Joesley Batista, empresário que o gravou em 2017, e classificou os atos de 8 de janeiro como uma "tentativa de golpe", sem avaliar a participação de Jair Bolsonaro.