Tarifas dos EUA podem aproximar Brasil da China, alerta análise

Tarifas dos EUA podem fortalecer China na América Latina ao contrariar interesses brasileiros. Análise aponta risco de perda de influência americana na região.

Tarifas dos EUA podem aproximar Brasil da China, alerta análise

Uma análise recente sugere que as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos de parceiros comerciais, incluindo o Brasil, podem inadvertidamente fortalecer a presença da China nas Américas. A política comercial americana, especialmente sob a doutrina de Segurança Nacional que prioriza o hemisfério ocidental, visa conter a influência chinesa. No entanto, a abordagem tarifária pode estar criando um efeito oposto ao esperado.

Os Estados Unidos têm identificado quatro fatores principais para sua atenção renovada nas Américas: o acesso a recursos naturais cruciais, o combate ao crime organizado transnacional, o controle de fluxos migratórios e, notavelmente, a necessidade de se contrapor à crescente presença chinesa na região. Investimentos, acordos comerciais e parcerias estratégicas têm solidificado a posição da China em diversos países latino-americanos.

Enquanto nações como Colômbia, Chile e Peru têm eleito governos mais alinhados aos EUA, o Brasil tem mantido uma postura de maior independência, evitando se submeter completamente às diretrizes americanas. Uma audiência pública realizada em Washington, relacionada ao processo comercial conhecido como Seção 301, abordou práticas comerciais brasileiras, incluindo plataformas digitais, o Pix, desmatamento e produtos que poderiam competir de forma desleal com os americanos. Representantes brasileiros defenderam os interesses nacionais e setoriais, muitos dos quais coincidem com os de setores americanos que dependem desses produtos.

Essas mercadorias, que podem enfrentar tarifas de importação de até 25%, são consideradas essenciais para o mercado americano, visto que o Brasil frequentemente figura como o principal ou único fornecedor, ou participa de cadeias produtivas de interesse estratégico para os EUA. A política tarifária de Trump está intrinsecamente ligada a essa geopolítica regional.

Contudo, a análise aponta que, se os Estados Unidos desejam estabelecer uma parceria genuinamente benéfica e mutuamente vantajosa com o Brasil, é fundamental que compreendam e atendam às necessidades brasileiras. A falha em fazê-lo pode resultar na perda de influência para a China, que se apresenta como uma alternativa atraente e robusta para os países da América Latina.