Tarifaço dos EUA vira palco eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro

Tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros se torna campo de batalha eleitoral entre Flávio Bolsonaro e governo Lula. Senador critica governo em audiência nos EUA; Planalto rebate e acusa de 'traição'.

Tarifaço dos EUA vira palco eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro

A audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros se transformou em um ringue eleitoral no Brasil. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, utilizou seus cinco minutos de discurso em Washington para atacar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em vez de focar exclusivamente na questão tarifária.

Flávio Bolsonaro defendeu que as tarifas não sejam aplicadas, mas argumentou que elas beneficiariam politicamente Lula. Ele criticou o Supremo Tribunal Federal (STF), mencionou casos de corrupção e afirmou ser alvo de 'censura'. O senador estava acompanhado de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A audiência ocorre em um momento crucial, pois o prazo para os EUA decidirem sobre as tarifas termina em 15 de junho, um dia após a visita de Flávio a Donald Trump na Casa Branca em 2 de junho, quando a intenção do tarifaço foi anunciada.

## Resposta do Planalto

O Palácio do Planalto reagiu prontamente às declarações de Flávio Bolsonaro, emitindo uma nota em que acusa o senador de politizar as relações entre Brasil e Estados Unidos. O governo classificou a convocação de uma potência estrangeira para pressionar o próprio país como 'traição à Pátria', diferenciando a oposição ao governo da oposição ao país e ao povo brasileiro.

Na sua fala, Flávio Bolsonaro citou casos como o do Banco Master, mas, segundo o Planalto, omitiu sua própria relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, que teria negociado recursos para um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. O senador também mencionou escândalos de corrupção como o mensalão, a Operação Lava Jato e fraudes no INSS, atribuindo-os a governos do PT.

O Planalto rebateu, afirmando que Flávio 'esqueceu' de mencionar a conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro. A nota governamental também apontou que descontos ilegais prejudicaram aposentados e pensionistas do INSS durante o governo Bolsonaro.

## Disputa sobre o Pix e Redes Sociais

A criação do Pix, atribuída por Flávio Bolsonaro à administração Bolsonaro, também foi tema de debate. O governo Lula acusou o senador de tentar mudar o discurso e propor subordinar o Pix aos interesses norte-americanos. A questão das redes sociais, um ponto sensível para Flávio e para o governo dos EUA, também foi abordada, com o senador culpando o STF pela remoção de conteúdos.

Em um vídeo posterior à audiência, Flávio criticou a ausência de representantes do governo brasileiro no encontro. A resposta do Planalto, contudo, foi que o senador não se posicionou claramente contra o tarifaço. A disputa sobre as tarifas americanas evidencia a polarização eleitoral no Brasil.