Tarifaço dos EUA: Brasileiros culpam Flávio Bolsonaro, aponta pesquisa

Pesquisa Genial/Quaest revela que 51% dos brasileiros culpam Flávio Bolsonaro pelo novo tarifaço dos EUA, enquanto 42% dizem que medida aumenta a vontade de votar em Lula.

Tarifaço dos EUA: Brasileiros culpam Flávio Bolsonaro, aponta pesquisa

Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (16) indica que a maioria dos brasileiros (51%) atribui a responsabilidade pela imposição de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros ao senador Flávio Bolsonaro (PL). A sondagem, realizada entre os dias 10 e 13 de julho, antes do anúncio oficial de Washington, questionou os entrevistados sobre qual versão eles mais concordavam no embate político sobre a medida. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusa Flávio de ter pedido o "tarifaço" a Donald Trump, o senador alega ter solicitado ao presidente dos EUA para não taxar o Brasil.

De acordo com os dados, 51% concordaram com a versão de Lula, um aumento em relação aos 47% registrados em junho. Já 30% concordaram com a justificativa de Flávio Bolsonaro, uma queda em relação aos 35% do mês anterior. Um percentual de 19% não soube ou não respondeu.

## Impacto na Intenção de Voto

A pesquisa também investigou como o "tarifaço" afeta a intenção de voto dos eleitores. Cerca de 42% dos entrevistados afirmaram que a medida aumenta a vontade de votar em Lula para a Presidência, um crescimento em relação aos 39% de junho. No caso de Flávio Bolsonaro, 27% disseram que a imposição das tarifas aumenta sua intenção de voto, uma diminuição em relação aos 30% registrados anteriormente. Eleitores de direita, incluindo os bolsonaristas, demonstraram uma diminuição na intenção de votar no senador, com recuos de até dez pontos percentuais entre a direita não bolsonarista e sete pontos entre os bolsonaristas.

## Conhecimento e Percepção sobre a Medida

Em relação ao conhecimento sobre as novas tarifas, 62% dos brasileiros declararam saber da imposição, enquanto 38% afirmaram não ter conhecimento. Dentre os que sabem, 63% acreditam que as novas tarifas prejudicarão suas vidas, e 31% não compartilham dessa visão. A pesquisa também revelou que 57% dos brasileiros desconheciam a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos com o objetivo de dialogar com Donald Trump sobre as tarifas e defender o Pix. Dentre os que souberam da agenda do senador, 58% expressaram descrença em sua capacidade de convencer o governo americano a rever a decisão, enquanto 34% confiaram em sua influência.

A investigação que levou às tarifas foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, e o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) confirmou a proposta, que entra em vigor em 22 de julho. A lista de produtos isentos inclui itens como petróleo bruto, café, carne bovina, aeronaves, celulose e eletrônicos, mas etanol, máquinas agrícolas e vestuário, entre outros, permanecerão sujeitos à taxa de 25%. O governo brasileiro contesta as conclusões do USTR, que alega barreiras comerciais em áreas como Pix, plataformas digitais e propriedade intelectual.