Tarifaço dos EUA abala relação entre Lula e Trump; Brasil reage com cautela

Nova tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros tensiona relação Lula-Trump. Brasil adota cautela, prioriza equipes técnicas e aguarda manifestação de Trump. Negociações anteriores envolveram exigências consideradas "indignas".

Tarifaço dos EUA abala relação entre Lula e Trump; Brasil reage com cautela

A imposição de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos marcou uma mudança na dinâmica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Após meses de negociações infrutíferas, o governo brasileiro optou por uma abordagem mais reservada, evitando iniciativas de aproximação e concentrando as conversas em equipes técnicas. A estratégia inclui responder a críticas diretas de Trump e avaliar que Washington pode adiar um acordo comercial até as eleições brasileiras.

## Tensão e Contrapartidas Exigidas

A relação entre os dois líderes, que chegou a apresentar uma aparente "química" com encontros presenciais, sofreu reveses recentes, como a classificação de facções brasileiras como terroristas e a nova sobretaxa. O governo brasileiro, por sua vez, não dará prioridade à aprovação do novo embaixador americano em Brasília, Daniel Perez, um parlamentar próximo a Trump. A escolha de Perez ocorreu sem consulta prévia formal ao Brasil, o que gerou incômodo no Itamaraty e levou à decisão de realizar uma análise minuciosa de seu posicionamento sobre o país.

As negociações anteriores com o governo americano envolveram cinco reuniões de alto nível, nas quais os EUA apresentaram exigências consideradas "indignas" pelo governo Lula. Entre elas, estavam a tarifa zero para bens industriais, máquinas, equipamentos, indústria química, setor espacial e automotivo, além da isenção de tarifa para o etanol e a não regulamentação de plataformas digitais.

## Reação Cautelosa e Análise Eleitoral

A tendência é que Lula responda a críticas diretas de Trump sobre temas como guerras, mas evite escalar as tensões. Nenhum telefonema ou encontro com Trump deve ser sugerido pelo governo brasileiro, que prioriza outras questões, como o conflito no Oriente Médio. O presidente brasileiro indicou essa postura ao afirmar que aguardará uma manifestação de Trump sobre o "tarifaço" antes de se pronunciar. Críticas de autoridades americanas, como o secretário de Estado Marco Rubio, serão respondidas pelo Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, classificou a declaração de Rubio sobre Lula como "infeliz".

O "tarifaço" americano pode afetar cerca de R$ 11 bilhões em exportações brasileiras do agronegócio e da indústria, de acordo com a Câmara do Comércio Americana (Amcham Brasil). Especialistas apontam que a eleição brasileira tem sido um fator considerado pelo governo americano, que demonstra interesse em uma gestão de direita no Brasil. A Lei da Reciprocidade, que permite ao Brasil impor tarifas adicionais em retaliação, é uma ferramenta na mesa de negociação, mas a cautela prevalece nos bastidores. A expectativa é que os EUA possam postergar um acordo comercial até a definição das eleições presidenciais brasileiras.