Tarifaço de Trump vira arma política em eleição para governo de SP

O tarifaço de Trump sobre produtos brasileiros se torna arma eleitoral em SP. Haddad critica Tarcísio por apoio prévio ao republicano, que agora defende interesses paulistas.

Tarifaço de Trump vira arma política em eleição para governo de SP

O recente anúncio de tarifas adicionais por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, sobre produtos brasileiros tornou-se um ponto central no debate eleitoral em São Paulo. A medida, que prevê uma tarifa de 25% sobre importações, tem sido explorada pelo pré-candidato ao governo paulista, Fernando Haddad (PT), para questionar a postura do atual governador e também pré-candidato, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

## Política Internacional na Campanha Eleitoral

O uso de temas de política externa nas campanhas eleitorais brasileiras é considerado uma novidade este ano. A nível nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), ambos pré-candidatos à Presidência, têm abordado a questão internacional em seus discursos. No âmbito estadual paulista, a disputa pela cadeira de governador também viu o tema ganhar destaque, com Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad utilizando a pauta para atrair eleitores.

Felipe Soutello, estrategista político com vasta experiência em campanhas, aponta que a conexão de alguns governadores brasileiros com movimentos como o MAGA (Make America Great Again) e a externalização de suas posições sobre a política americana trouxeram uma situação embaraçosa. Ele destaca a necessidade de explicar o apoio a políticas que prejudicam o Brasil, especialmente sua cadeia industrial.

## Reorientação de Tarcísio de Freitas e Ataque de Haddad

No passado, Tarcísio de Freitas demonstrou apoio a Donald Trump, chegando a usar o boné do movimento MAGA e endossando declarações do republicano. Inicialmente, chegou a ver a tarifaço como uma "oportunidade de negócio" para o Brasil e se colocou como negociador paralelo, chegando a sugerir que o governo Lula poderia "entregar alguma vitória" a Trump. Contudo, após a definição de sua candidatura ao governo de São Paulo, em vez da Presidência, sua postura mudou.

Fernando Haddad aproveitou essa mudança e as declarações anteriores para criticar Tarcísio. Em entrevistas, o petista chamou o governador de "submisso a Trump", o que gerou reações do governador, que considerou as falas "bobagem" e questionou a relevância do tema para o Estado de São Paulo, afirmando que "a gente não faz política externa aqui". No entanto, diante do anúncio do tarifaço em julho, o Palácio dos Bandeirantes optou por não se pronunciar oficialmente.

A oposição, incluindo a pré-candidata ao Senado Marina Silva (Rede), também tem explorado a antiga proximidade de Tarcísio com Trump, questionando sua afiliação e pedindo "autocrítica" em relação ao apoio ao governo americano.