Sucessão de Eduardo Leite: vice aposta em virada no RS
Vice-governador Gabriel Souza (MDB) busca suceder Eduardo Leite no RS em cenário polarizado. Enfrenta Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT), apoiada por Lula, em estado com histórico de dificuldade para sucessão governista.

A disputa pelo governo do Rio Grande do Sul se desenha em um cenário de acirrada polarização política, espelhando o quadro nacional entre esquerda e direita. Neste contexto, o vice-governador Gabriel Souza (MDB) enfrenta o desafio de suceder o atual chefe do Executivo, Eduardo Leite (PSD), e quebrar um histórico de alternância de poder no estado.
## Aposta na Gestão e Rejeição de Adversários
Leite, que permaneceu no cargo após não ser o escolhido pelo PSD para a Presidência, aposta em Souza para dar continuidade à sua gestão. Inicialmente, a expectativa era que Souza assumisse em abril, liberando Leite para uma possível candidatura presidencial, que acabou não se concretizando com Ronaldo Caiado (PSD) como nome escolhido. A decisão de Leite de concluir o mandato significou para Souza a perda da máquina pública como ferramenta para ampliar sua visibilidade e articulações eleitorais.
Contudo, Souza minimiza os impactos negativos, argumentando que a cadeira de vice permite maior exposição. Sua estratégia se baseia na crença de que a rejeição dos adversários e o eleitorado indeciso podem virar o jogo a seu favor. Pesquisas indicam que uma parcela significativa dos eleitores ainda pode mudar de voto, abrindo margens para o emedebista, que aparece atrás nas intenções de voto.
## Concorrência Forte e Histórico Desafiador
Gabriel Souza tem pela frente concorrentes de peso. O deputado federal Luciano Zucco (PL), apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), e a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT), que conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), surgem à frente nas pesquisas. A tarefa de Souza se complica ainda mais ao considerar o retrospecto do Rio Grande do Sul para candidatos ligados à base governista. Até a reeleição de Leite em 2022, nenhum governador havia conseguido se manter no cargo desde a redemocratização, com uma sucessão de derrotas para candidatos que buscavam a reeleição ou a continuidade de seus grupos políticos.
## Aliança de Esquerda e Divisões Internas
Na outra ponta do espectro político, Juliana Brizola foi oficializada como candidata da esquerda. A definição ocorreu após meses de negociações e divergências internas no PT, que inicialmente lançou Edegar Pretto para uma nova disputa. A intervenção da direção nacional do partido levou à aliança com PSOL, PCdoB, PV, Rede, Avante e PSB. Pretto foi realocado para a vice, e nomes como Manuela D’Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT) compõem a chapa para o Senado. Apesar das diferenças naturais, a aliança busca focar na melhoria da vida dos gaúchos, segundo Brizola.
A ex-deputada enfrentou críticas, inclusive de petistas históricos como Olívio Dutra, devido à participação do PDT em cargos no governo Leite. Juliana defende que a atuação foi pautada pela independência e coerência programática, permitindo o reconhecimento de políticas públicas eficazes.