Rio: Estado vira campo de batalha entre Lula e Flávio Bolsonaro

Rio de Janeiro se tornou palco central da rivalidade política entre Lula e Flávio Bolsonaro. O estado, outrora reduto petista, agora demonstra forte apoio a Bolsonaro, com análises apontando a Lava Jato e a cooptação de elites como fatores cruciais.

Rio: Estado vira campo de batalha entre Lula e Flávio Bolsonaro

O estado do Rio de Janeiro, historicamente um importante eleitorado para o Partido dos Trabalhadores (PT), tornou-se um cenário crucial na disputa política entre o ex-presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. A cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, exemplifica essa transformação. Em 2002, a cidade deu 86% dos votos válidos a Lula no segundo turno, enquanto em 2018, Jair Bolsonaro obteve 66% dos votos válidos, número que subiu para 53% em 2022.

## A Virada Eleitoral Carioca

Especialistas apontam que a ascensão de Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro é explicada por uma combinação de fatores. A origem política do ex-presidente, que tem forte ligação com o estado, foi um elemento chave. Além disso, o vácuo deixado pela Operação Lava Jato, que resultou na prisão de figuras políticas proeminentes como Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, enfraqueceu as lideranças tradicionais e abriu espaço para a extrema-direita. Essa desarticulação política e econômica afetou a esquerda e a centro-esquerda, facilitando a captura de eleitorado por novas forças políticas.

## Fatores de Conversão e Cooptação

A cientista política Mayra Goulart, coordenadora do Lappcom, destaca que a Lava Jato desestabilizou a política e a economia do Rio de Janeiro, criando um ambiente propício para o avanço da extrema-direita. Um levantamento do Lappcom revelou que cerca de 70% dos vereadores eleitos em 2024 pelo PL no estado já possuíam experiência política prévia. Isso demonstra uma estratégia de cooptação de elites políticas tradicionais pelo campo da extrema-direita, que utilizam o alinhamento com a direita como ponto de partida para consolidar controle territorial e poder.

O discurso de eleitores como André Paulo da Silva, vendedor em Duque de Caxias, reflete essa mudança. Embora reconheça o primeiro mandato de Lula como positivo, ele critica a estratégia do Bolsa Família como manipuladora e expressa descontentamento com a forma de governar do PT. Paulo considera que um eventual retorno de um aliado de Bolsonaro pode tirar o país de uma crise e declara que votará em quem o ex-presidente indicar.