República Americana: 250 Anos de Riscos e Resiliência
Historiador Sandro Moita analisa os 250 anos da república americana, alertando para o fortalecimento do Executivo e paralelos com a queda de Roma. Ele, contudo, acredita na resiliência das instituições.

Aos 250 anos de sua fundação, a república dos Estados Unidos enfrenta desafios que evocam os fantasmas de sua própria história. Segundo o professor de Ciências Militares da Eceme, Sandro Teixeira Moita, a principal preocupação dos pais fundadores era evitar a concentração de poder que pudesse degenerar em um regime imperial. Essa apreensão, expressa em textos que complementam a Constituição, visava impedir que o experimento americano seguisse o caminho da República Romana, um exemplo de colapso frequentemente estudado pelos idealizadores da nação.
## Legado dos Fundadores e o Temor Imperial
Moita ressalta que a formação clássica dos fundadores, com forte influência da história de Roma e Grécia, moldou sua visão. Eles temiam que a República pudesse ceder lugar a um regime imperial, uma preocupação que, segundo o historiador, reverbera em aspectos da política americana contemporânea. A análise se estende a possíveis traços de "bonapartismo" e "cesarismo" observados em certas lideranças, onde a lealdade ao líder se sobrepõe à competência.
## O Poder Executivo em Ascensão
Uma das críticas centrais de Moita é o fortalecimento progressivo do Poder Executivo nos EUA, que tem gradualmente diminuído o protagonismo do Congresso. Essa dinâmica, segundo ele, é visível na condução da política externa e em decisões militares, onde o Congresso por vezes assume um papel de mera chancela das vontades do Executivo. "A política não existe vácuo: alguém sempre ocupará esse vácuo. No caso, os presidentes americanos ocuparam esse espaço", aponta o professor.
## Paralelos com a Crise Romana e a Resiliência Institucional
O historiador sugere que os Estados Unidos podem estar vivenciando uma versão americana da crise que levou ao fim da República Romana. A complexificação do Estado no século XXI, aliada a um processo de transferência de poder para o Executivo, contribui para esse cenário. Apesar das preocupações, Moita expressa otimismo quanto à capacidade de resistência das instituições americanas. Ele acredita que o experimento republicano ainda possui a força necessária para superar pressões significativas, mesmo diante de lideranças controversas.
## Contexto da Entrevista
A análise de Sandro Moita foi apresentada em entrevista ao programa WW Especial, da CNN Brasil. O debate sobre os 250 anos da república americana ganha contornos de urgência diante das tensões políticas internas e da reconfiguração do poder em Washington. A discussão levanta um importante debate sobre a preservação dos ideais republicanos em um mundo em constante transformação.