Racha entre Psol e Rede ameaça candidatura ao Senado no ES

Racha entre Psol e Rede no ES pode inviabilizar candidatura ao Senado. Divergências sobre apoio ao governo estadual e alianças geram impasse na federação.

Racha entre Psol e Rede ameaça candidatura ao Senado no ES

A federação formada pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol) e a Rede Sustentabilidade enfrenta um grave racha no Espírito Santo, que pode levar à desistência da única candidatura ao Senado apresentada pelo grupo até agora. As divergências centrais giram em torno do apoio à disputa pelo governo do estado e da composição da chapa para o Senado.

A Rede Sustentabilidade defende que a federação apoie o atual governador, Ricardo Ferraço (MDB), na corrida pelo Palácio Anchieta, e integre a base governista, indicando um segundo nome para o Senado. Em contrapartida, o Psol rejeita a aliança com Ferraço e insiste em manter candidatura própria para a vaga senatorial. O professor Carlos Fabian (Psol) foi lançado como pré-candidato, com a expectativa de que seu nome fosse apoiado pela Rede, parceira desde 2022.

Nos bastidores, a tendência é que a candidatura de Fabian seja retirada antes mesmo das convenções partidárias, marcadas para 20 de julho. A direção nacional da federação estuda uma intervenção para tentar mediar o conflito. Wellington Barros, presidente estadual do Psol, confirmou as divergências, mas buscou um tom conciliador, afirmando que a candidatura de Fabian é importante e que a direção nacional defende sua manutenção, com diálogo aberto.

Barros reiterou que a orientação do Psol é pedir votos para o deputado federal Helder Salomão (PT) para o governo do estado, descartando qualquer coligação com Ricardo Ferraço. Para a segunda vaga ao Senado, o Psol já decidiu apoiar a reeleição de Fabiano Contarato (PT).

Laís Garcia, porta-voz da Rede no Espírito Santo, justificou a posição do partido como consequência da aliança construída com o grupo político de Renato Casagrande e Ricardo Ferraço nos últimos anos, destacando a participação da Rede no governo estadual por meio de cargos. Segundo ela, apoiar a candidatura de Carlos Fabian ao Senado se torna inviável neste cenário, embora o diálogo e a busca por consenso estejam em andamento. A dirigente ressaltou que a posição da Rede acompanha alianças firmadas anteriormente e pode sofrer alterações conforme o cenário político evoluir.

Carlos Fabian, por sua vez, expressou que sua candidatura foi construída após meses de diálogo e que a preocupação inicial era não prejudicar o projeto de reeleição do senador Fabiano Contarato (PT). Ele mencionou ter sido informado sobre a desistência da Rede em apoiá-lo e atribuiu essa mudança a pressões políticas, possivelmente vindas do Palácio Anchieta e da federação composta por PT, PV e PCdoB. Apesar dos obstáculos, Fabian demonstra confiança na manutenção de seu nome na disputa e acredita que as negociações prosseguirão.