Professor da FGV alerta para 'presidência imperial' de Trump

Professor da FGV alerta que a concentração de poder na Casa Branca sob Donald Trump pode configurar uma 'presidência imperial' e ameaçar liberdades civis e políticas nos EUA.

Professor da FGV alerta para 'presidência imperial' de Trump

A ascensão de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos tem levantado preocupações sobre uma possível consolidação de um modelo de "presidência imperial", segundo análise do professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Eduardo Mello. Em participação no programa WW Especial, da CNN Brasil, Mello destacou uma tendência histórica de transferência de poder nos EUA, do Congresso para a Casa Branca, mas alertou para os riscos quando esse fortalecimento se aproxima do autoritarismo.

## Concentração de poder e liberdades civis

Mello explicou que a Constituição americana foi promulgada com um sistema de freios e contrapesos, onde o Congresso detinha grande parte do poder. No entanto, ao longo das décadas, observou-se um gradual deslocamento de autoridade em direção ao Poder Executivo. O que se torna particularmente alarmante, na visão do professor, é o potencial de que essa concentração de poder, sob a liderança de Trump, possa ultrapassar os limites democráticos e ameaçar liberdades civis, políticas e individuais.

"Há uma ideia nos Estados Unidos de que o poder, gradativamente, desde a promulgação da Constituição, vem aos poucos saindo do Congresso e indo em direção à Casa Branca", afirmou Eduardo Mello. Ele ressaltou a necessidade de distinguir entre um fortalecimento institucional legítimo e um avanço autoritário. "Mas o que preocupa, e eu acho que a gente precisa separar porque é o que está em questão agora, é se esse fortalecimento se transforma em autoritarismo e se o papel do presidente permite ele violar liberdades políticas e individuais das pessoas."

## Contexto histórico e implicações

A discussão ocorreu em um contexto de reflexão sobre os 250 anos da independência dos Estados Unidos, no programa "Os 250 anos da independência dos EUA - Fim da revolução?". A análise de Mello aponta para um debate fundamental sobre o futuro da democracia americana e o equilíbrio de poderes, especialmente em um cenário político polarizado e sob a influência de figuras com discursos fortes e personalistas.

A preocupação levantada pelo professor da FGV ecoa debates globais sobre o recuo democrático em diversas nações e a ascensão de líderes que desafiam normas estabelecidas. A concentração de poder na figura presidencial, sem a devida fiscalização e respeito aos direitos fundamentais, é vista como um dos maiores desafios para a estabilidade política e a proteção das liberdades individuais no século XXI.