Presidentes de Partidos Recebem Milhões do Fundo Partidário
Presidentes de partidos políticos receberam até R$ 630,5 mil em 2025, totalizando R$ 2,95 milhões. A maior parte dos pagamentos, 96%, veio do Fundo Partidário.

As prestações de contas partidárias ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelaram que presidentes de legendas políticas receberam remunerações anuais de até R$ 630,5 mil em 2025. Um levantamento focado nas 30 siglas registradas na Corte identificou repasses diretos a dez dirigentes nacionais, totalizando R$ 2,95 milhões em rendimentos. A maior parte desses valores, cerca de 96%, foi financiada pelo Fundo Partidário, que é composto majoritariamente por recursos do Orçamento Geral da União e multas eleitorais.
## Remuneração e Legislação
A legislação brasileira sobre partidos políticos não estabelece um teto financeiro específico para os salários de dirigentes. Embora o teto do funcionalismo público federal sirva como um parâmetro moral, ele não é legalmente impositivo para as entidades partidárias. As leis estipulam apenas limites globais para gastos com pessoal. As executivas nacionais podem destinar até 50% do Fundo Partidário para despesas de pessoal, enquanto diretórios estaduais e municipais têm uma margem de 60%.
## Principais Beneficiários
O maior valor registrado foi para Ovasco Roma Altimari Resende, presidente nacional do PRD, que recebeu R$ 630,5 mil provenientes integralmente do Fundo Partidário. José Luiz Penna, líder do PV, obteve R$ 501,4 mil, incluindo salários, férias e 13º salário. Valdemar Costa Neto, do PL, recebeu R$ 404,7 mil por serviços técnico-profissionais. Paralelamente, o PL registrou repasses a Jair Bolsonaro (R$ 460,2 mil) e Michelle Bolsonaro (R$ 411 mil) no mesmo período.
Outros presidentes também receberam valores significativos: Eduardo Ribeiro (Novo), R$ 337 mil em salários; Renata Abreu (Podemos), R$ 322,1 mil em serviços técnicos; Carlos Lupi (PDT), R$ 270 mil em despesas com pessoal; Edinho Silva (PT), R$ 201 mil em remuneração; Paula Coradi (PSOL), R$ 146,8 mil por serviços técnicos; Paulo Lamac (Rede Sustentabilidade), R$ 95,5 mil em salários; e Leonardo Péricles (Unidade Popular), R$ 39,3 mil em despesas com pessoal custeadas com recursos próprios da legenda.
Os valores considerados na apuração do TSE são nominais brutos destinados às contas dos presidentes. Reembolsos operacionais, como despesas de viagens, hospedagens e alimentação, além de verbas indenizatórias e contratos jurídicos terceirizados, foram excluídos da análise. Das 30 agremiações registradas, 18 não discriminaram pagamentos diretos aos seus presidentes nacionais em suas prestações de contas.