PP 'neutral' afasta Tereza Cristina da vice de Flávio Bolsonaro

Decisão do PP por neutralidade e recentes desgastes políticos afastam Tereza Cristina da chapa de Flávio Bolsonaro, que também enfrenta dificuldades em conquistar o eleitorado feminino.

PP 'neutral' afasta Tereza Cristina da vice de Flávio Bolsonaro

A decisão do Partido Progressista (PP) de adotar uma postura de "neutralidade" na disputa presidencial brasileira impacta diretamente as articulações da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à vice-presidência. Com o PP integrado à federação União Progressista ao lado do União Brasil, a tendência é que este bloco político também se afaste de um apoio formal ao senador, o que praticamente inviabiliza uma composição com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como candidata a vice.

Nos bastidores, lideranças do PP indicam uma crescente defesa pela liberação dos filiados para que apoiem candidatos de sua preferência em nível estadual. Essa corrente ganhou força após o abalo na relação entre Flávio Bolsonaro e o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira. Relatos de membros do partido sugerem que Nogueira se sentiu "abandonado" quando passou a ser alvo de investigações relacionadas ao caso do Banco Master, um ponto que contribuiu para o rompimento de pontes.

O cenário se complica para Flávio Bolsonaro em um momento em que ele busca expandir seu arco de alianças para as convenções partidárias. O desgaste também se estende ao União Brasil, cujos integrantes apontam o silêncio de Flávio após a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo (RJ), Márcio Canella (União), como mais um motivo para defender a neutralidade. Canella era um aliado do senador no Rio de Janeiro e foi escolhido para disputar uma vaga no Senado, com Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, como suplente. A ausência de manifestações públicas em defesa de Canella aprofundou a percepção de que o senador prioriza seus próprios interesses, minando o apoio dentro da federação.

A saída de Tereza Cristina da disputa pela vice-presidência se consolida. A ex-ministra da Agricultura era vista por aliados do PL como uma peça-chave para ampliar o diálogo com o agronegócio e o eleitorado feminino. No entanto, esse projeto perdeu força. Recentemente, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, indicou que a senadora possuía "outras pretensões" políticas, enquanto ela própria tem focado na disputa pela presidência do Senado em 2027.

Sinais públicos corroboram o distanciamento. Na semana passada, Tereza Cristina foi uma das ausentes em um café da manhã promovido por Flávio Bolsonaro com lideranças conservadoras, um evento que visava diminuir a resistência do eleitorado feminino. Outras figuras importantes como Michelle Bolsonaro, Damares Alves e Margareth Buzetti também não compareceram. O encontro foi ofuscado por crises internas no bolsonarismo e pela necessidade de Flávio repudiar declarações do influenciador Paulo Figueiredo sobre a suposta má votação feminina.

A aproximação com o eleitorado feminino se tornou uma preocupação central para a campanha de Flávio Bolsonaro. Pesquisas recentes indicam um desempenho inferior do senador entre as mulheres em comparação aos homens, ecoando uma dificuldade já enfrentada por Jair Bolsonaro em 2022. O próprio Flávio Bolsonaro atribuiu esse resultado a uma falha de comunicação da direita, assumindo a responsabilidade por parte de sua campanha.