Portugal Proíbe Burca em Locais Públicos com Lei Controversa

Portugal proíbe burca e véus que cobrem o rosto em locais públicos. Lei aprovada pela ultradireita gera críticas de xenofobia e inconstitucionalidade.

Portugal Proíbe Burca em Locais Públicos com Lei Controversa

O Parlamento de Portugal aprovou uma legislação que proíbe o uso de vestimentas destinadas a ocultar o rosto em espaços públicos, amplamente conhecida como a "Lei das Burcas". A medida, que impacta diretamente mulheres que utilizam véus islâmicos como a burca e o hijab, foi proposta pelo partido de ultradireita Chega e contou com o apoio da coligação governamental Aliança Democrática e do partido Iniciativa Liberal.

## Contexto e Críticas

A aprovação da lei ocorre após declarações de políticos de ultradireita, como Rita Matias do Chega, que expressaram o desejo de não ver mulheres usando véus islâmicos em cidades portuguesas. Críticos, como a advogada brasileira Érica Acosta, especialista em direito migratório, classificam a lei como um retrocesso nos direitos das mulheres e uma institucionalização da xenofobia. A lei evita menções explícitas a questões religiosas, mas especialistas apontam que seu objetivo subjacente é a islamofobia.

## Questionamentos Legais e Políticos

Diversas entidades em Portugal, incluindo a Ordem dos Advogados, a Associação Portuguesa das Mulheres Juristas e o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, consideram a nova legislação inconstitucional. Os pareceres dessas instituições apontam que a lei fere artigos da Constituição portuguesa que garantem a liberdade religiosa e o direito à identidade pessoal. O advogado Wilson Bicalho ressalta que, embora não cite diretamente os véus, a lei tem um forte componente religioso e atenta contra a liberdade individual de vestimenta. A decisão final sobre sancionar ou vetar a lei cabe ao presidente de Portugal.

## Medidas Adicionais contra Imigrantes

Na mesma sessão legislativa, Portugal endureceu as regras para a regularização de imigrantes. Duas novas leis foram aprovadas, dificultando a situação de estrangeiros que buscam obter residência. Uma delas impede que imigrantes matriculados em cursos profissionalizantes recebam Autorização de Residência. Essas medidas, vistas como uma escalada no controle migratório, foram negociadas previamente entre os partidos de direita e ultradireita, sinalizando uma linha política mais restritiva em relação à imigração no país.