Política Externa Brasileira Ganha Popularidade entre Especialistas

Pesquisa revela que 88% dos especialistas aprovam a política externa brasileira. Brasil expande acordos comerciais e busca autonomia estratégica em meio a tensões globais.

Política Externa Brasileira Ganha Popularidade entre Especialistas

Em um momento de tensões comerciais com os Estados Unidos, com audiências sobre tarifas adicionais para produtos brasileiros em Washington, a política externa do Brasil tem recebido um forte endosso de especialistas. Uma pesquisa divulgada em Berlim aponta que 88% dos consultados avaliam positivamente a atuação diplomática do governo brasileiro, um salto expressivo em relação aos 69% de avaliações negativas registradas em 2023.

O estudo, intitulado "Potências Médias Emergentes", ouviu especialistas em política externa de Brasil, Alemanha, Índia, Indonésia e África do Sul. Carlos Frederico de Souza Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), apresentou os resultados no Brasil, destacando também a percepção dos especialistas sobre a influência americana no cenário global. Segundo o levantamento, 88% dos especialistas brasileiros consideram negativa a interferência dos EUA no palco internacional, um índice superior à média dos cinco países pesquisados (80%).

## Expansão de Acordos Comerciais

Apesar da visão crítica sobre a influência americana, os Estados Unidos continuam sendo vistos como um parceiro estratégico para o Brasil. Carlos Frederico enfatizou que o país tem respondido de forma eficaz às pressões comerciais de Washington, fortalecendo sua rede de acordos e parcerias. Essa estratégia resultou na conclusão do acordo Mercosul-União Europeia, no envio de acordos com EFTA e Singapura ao Congresso, e no andamento das negociações com o Canadá. Como consequência, a participação das exportações brasileiras cobertas por preferências tarifárias saltou de 12% para 31%, a maior expansão já registrada na história do país.

## Autonomia Estratégica e Não Alinhamento

Outro dado consistente da pesquisa, tanto entre os especialistas brasileiros quanto nos demais países, é a preferência pelo não alinhamento. Especialistas de Brasília, Jacarta, Nova Délhi, Pretória e Berlim indicam uma crescente resistência à pressão para se posicionar em meio à disputa entre as grandes potências globais. No contexto brasileiro, essa postura é interpretada como uma busca por autonomia estratégica, e não mera neutralidade. O objetivo é manter a liberdade para tomar decisões caso a caso, sempre priorizando os interesses nacionais.