Pix: Sistema de Pagamentos Brasileiro Vira Campo de Disputa Global

Sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, está no centro de disputa global entre EUA e outros países por controle financeiro e soberania digital. A tecnologia brasileira é vista como um ativo estratégico na reconfiguração do poder geopolítico.

Pix: Sistema de Pagamentos Brasileiro Vira Campo de Disputa Global

O Pix, sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, encontra-se no epicentro de uma complexa disputa internacional, impulsionada pelas recentes tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos. O embate, que tem suas raízes na guerra comercial, estende-se para abranger a influência geopolítica e a soberania digital e monetária global.

## Soberania e Poder Digital

A discussão transcende a simples concorrência entre intermediários financeiros, como bandeiras de cartão de débito e crédito. O cerne da questão reside no controle dos sistemas de pagamento, que conferem aos Estados Unidos um poder significativo para a aplicação de sanções. Um exemplo citado é a restrição de acesso aos sistemas bancários americanos a indivíduos críticos às políticas americanas, como no caso da relatora especial da ONU, Francesca Albanese. A capacidade de países desenvolverem e conectarem suas próprias redes de pagamento ameaça a extraterritorialidade das regras americanas, reconfigurando o cenário geopolítico e monetário.

## O Pix como Ativo Estratégico

No Brasil, o Pix consolidou-se como uma infraestrutura crítica, administrada pelo Banco Central. Diferente de empresas privadas ou públicas, trata-se de uma infraestrutura de mercado aberta, regulada e amplamente utilizada por diversas instituições financeiras e empresas. Lançado em 2020, o sistema já conta com mais de 170 milhões de usuários, representando cerca de 80% da população brasileira, e facilitou a bancarização e o uso de meios de pagamento digitais. Em junho, o volume de transações atingiu a marca de 7,7 bilhões, com a grande maioria processada através do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) do Banco Central, a espinha dorsal tecnológica que garante a liquidação das operações em tempo real. A gestão pública e a natureza aberta do Pix são vistas como um ativo de soberania digital e regulatória para o país, oferecendo uma alternativa robusta aos sistemas de pagamento dominados por empresas estrangeiras.