PGR defende prisão domiciliar de Bolsonaro, mas pede mais restrições
PGR defende manutenção da prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro, mas pede que STF explicite regras para evitar novas violações das restrições de comunicação após carta divulgada pelo filho.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente à manutenção da prisão domiciliar humanitária do ex-presidente Jair Bolsonaro, apesar de considerar que uma carta escrita por ele e divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) violou as cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em parecer enviado ao ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral, Paulo Gonet, afirmou que a carta se ajusta à proibição de Bolsonaro de utilizar qualquer outro meio de comunicação externa e que a sua veiculação pelo filho, pré-candidato à presidência, descumpriu o veto a comunicação "diretamente ou por intermédio de terceiros".
## Contexto da Violacão e Defesa
Gonet sustentou que a carta, cujo conteúdo de apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e conclamando apoiadores a fazerem campanha, teve "inequívoco intuito" de influenciar o eleitorado. A PGR entende que essa divulgação contrariou as condições estabelecidas por Moraes quando concedeu a prisão domiciliar humanitária, que proíbe o uso de celulares, telefones e redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros. A defesa de Jair Bolsonaro, por sua vez, alegou que o ex-presidente "jamais soube" que o material seria publicizado e negou qualquer orientação ou combinação prévia para o uso das redes sociais. Segundo os advogados, a carta foi entregue a Flávio Bolsonaro durante uma visita autorizada, sem que o ex-presidente previsse ou autorizasse a divulgação pública do teor.
## Sugestões para Evitar Novos Descumprimentos
Apesar de considerar a violação das regras, a PGR concluiu que o episódio isoladamente não justifica o retorno imediato ao regime fechado, argumentando que tal medida seria desproporcional diante das razões humanitárias que levaram à concessão do benefício. No entanto, para evitar novos descumprimentos, especialmente em período eleitoral, Gonet sugeriu que o STF explicite novas regras e providências. Entre as sugestões está o veto a contatos pessoais que possam ser utilizados para veicular interferência no momento eleitoral. O parecer foi apresentado após Moraes ter suspendido, por 90 dias, as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai, por entender que a leitura da carta em rede social configurou desrespeito às condições impostas à prisão domiciliar. A condenação definitiva de Bolsonaro implica a suspensão de seus direitos políticos, e a PGR ressalta que manifestações político-eleitorais seriam incompatíveis com as restrições impostas pelo STF.