Peru: Sánchez reconhece vitória de Fujimori, mas aponta 'irregularidades' eleitorais
Roberto Sánchez reconhece Keiko Fujimori como presidente eleita do Peru, mas denuncia 'irregularidades' no processo eleitoral. Vitória de Fujimori encerra disputa acirrada e marca retorno do fujimorismo ao poder.

O ex-candidato presidencial peruano Roberto Sánchez reconheceu nesta segunda-feira (6) a proclamação de Keiko Fujimori como presidente eleita do Peru. A declaração ocorre três dias após o Júri Nacional de Eleições (JNE) oficializar a vitória da líder conservadora, encerrando um processo eleitoral acirrado que durou semanas.
Sánchez, que disputou o segundo turno com Fujimori, afirmou que seu partido, Juntos pelo Peru, e outras duas formações de esquerda reconhecem a proclamação dos resultados pelo JNE. No entanto, ele ressaltou que o reconhecimento não impede a denúncia de "irregularidades que ocorreram durante o processo eleitoral". A apuração final indicou que Fujimori obteve 50,135% dos votos, contra 49,865% de Sánchez, uma diferença de apenas 49.641 votos.
## Questionamentos sobre votos do exterior
O candidato de esquerda havia questionado a legitimidade dos resultados, especialmente em relação aos votos enviados do exterior, alegando que houve favorecimento a Fujimori. Seu partido chegou a entrar com ações judiciais para anular esses votos e apresentou um recurso ao JNE, que foi rejeitado por considerar as alegações infundadas. Sánchez também recorreu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
## Coalizão de oposição e pautas futuras
Em comunicado conjunto, Sánchez e os líderes dos partidos Obras e Agora Nação anunciaram a formação de uma coalizão parlamentar de oposição. O grupo visa exercer um "controle político firme" e "restabelecer a paz" no Peru. Entre as bandeiras defendidas pela coalizão estão a revogação de leis consideradas favoráveis ao crime e a libertação do ex-presidente Pedro Castillo, preso após uma tentativa de autogolpe em 2022.
## Legado e instabilidade política
A vitória de Keiko Fujimori marca o retorno do fujimorismo ao poder, 26 anos após o fim do governo de seu pai, Alberto Fujimori. O Peru tem enfrentado um período de intensa instabilidade política, com oito presidentes nos últimos oito anos. Fujimori assume em 28 de julho para um mandato até 2031, em um cenário marcado pelo aumento da criminalidade e desafios sociais, além de um Legislativo fragmentado.