Peru: Candidato derrotado reconhece eleição, mas alega irregularidades
Roberto Sánchez, candidato derrotado no Peru, reconhece resultado eleitoral proclamado pelo JNE, mas contesta o pleito alegando irregularidades, especialmente em votos do exterior. Observadores internacionais não identificaram fraudes.

Em um comunicado que busca equilibrar o respeito institucional com a contestação de eventuais falhas, o candidato derrotado nas eleições presidenciais do Peru, Roberto Sánchez, reconheceu formalmente o anúncio do Júri Nacional de Eleições (JNE) que declarou a vitória de Keiko Fujimori. No entanto, a declaração, assinada por Sánchez e líderes de outros partidos da coalizão Juntos pelo Peru, não concede uma vitória explícita a Fujimori e mantém a alegação de supostas irregularidades no processo eleitoral, sem a apresentação de provas concretas.
"A democracia exige respeitar a institucionalidade, mas também exige defender a verdade", afirma o documento, que, apesar de reconhecer a proclamação oficial dos resultados pelo JNE, ressalta que isso "não implica renunciar ao direito de apontar e denunciar as irregularidades que ocorreram durante o processo eleitoral". A coalizão opositora alega que tais irregularidades afetaram o desenrolar da disputa.
O cerne da contestação de Sánchez reside nos votos provenientes do exterior, que foram cruciais para a vitória de Keiko Fujimori em sua quarta tentativa de chegar à presidência. A argumentação se baseia na alegação de que, ao contrário do primeiro turno, os votos consulares no segundo turno não foram digitalizados antes de serem enviados ao Peru. Essa mudança, segundo o candidato derrotado, violaria as regras eleitorais, em uma estratégia que lembra a tentativa de anular votos rurais por Pedro Castillo em 2021, um político associado a Sánchez.
Keiko Fujimori venceu a eleição por uma margem estreita de aproximadamente 50 mil votos, obtendo 50,135% dos votos válidos contra 49,865% de Sánchez. Apesar das alegações de irregularidades, tanto observadores nacionais quanto internacionais não relataram fraudes significativas. A missão da União Europeia, em uma declaração preliminar, descreveu a campanha como competitiva, com respeito às liberdades fundamentais, e o dia da eleição como ordeiro, com incidentes isolados e uma contagem de votos rápida e transparente.
Diante do cenário parlamentar fragmentado, onde o partido de Keiko Fujimori, Força Popular, detém a maior bancada, a coalizão de Sánchez promete um "controle político firme, vigilante e responsável" a partir do Congresso. O grupo sinaliza que buscará "restabelecer a paz no país" com uma agenda focada na revogação de leis consideradas favoráveis ao crime, na recuperação do direito ao referendo, na estabilidade jurídica e na liberdade do ex-presidente Pedro Castillo, preso após uma tentativa de autogolpe em 2022.