Patrimônio de Jaques Wagner dispara 630% em 8 anos em meio a investigação da PF

Patrimônio do senador Jaques Wagner (PT-BA) cresce 630% em 8 anos, passando de R$ 3,3 milhões para R$ 24,5 milhões, enquanto ele é investigado pela PF.

Patrimônio de Jaques Wagner dispara 630% em 8 anos em meio a investigação da PF

O patrimônio do senador Jaques Wagner (PT-BA) teve um aumento expressivo de mais de 630% em um período de oito anos. Em 2018, quando concorreu pela última vez ao Senado, o parlamentar declarou à Justiça Eleitoral um total de R$ 3,3 milhões em bens. Atualmente, em busca da reeleição, o valor declarado atingiu R$ 24,5 milhões, segundo informações divulgadas pelas fontes.

Essa significativa evolução patrimonial ocorre em um momento delicado para o senador, que é alvo de investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. A investigação apura supostas vantagens indevidas recebidas por Wagner de empresários ligados ao Banco Master. O senador tem negado irregularidades e se diz confiante em provar sua inocência.

## Evolução Patrimonial Detalhada

A maior parte do acréscimo declarado pelo senador provém da venda de um terreno localizado em Vila de Abrantes, Camaçari (BA), para a SAF do Bahia. O negócio, negociado por R$ 13,8 milhões, envolveu um lote que em 2018 estava avaliado em R$ 28 mil. Além disso, aplicações financeiras que somavam R$ 1,2 milhão em 2018 agora chegam a R$ 8,3 milhões. Um apartamento no Rio de Janeiro, recebido como herança e declarado em R$ 25 mil em 2018, não consta mais na lista de bens do senador. Outros bens declarados incluem um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 10 milhões e um terreno na capital baiana estimado em R$ 15 milhões, além de participação em empresa e veículos.

## Investigações e Declarações

A Polícia Federal aponta indícios de que o senador tenha recebido benefícios indevidos, como a suposta aquisição de um apartamento de luxo em Salvador por R$ 2,45 milhões, voos em jatinhos, ingressos para shows e repasses de R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada ao núcleo familiar do parlamentar. Há também suspeitas de que Wagner mantinha investimentos em CDBs do Banco Master. A investigação ganhou novos contornos com a retirada do sigilo de parte do caso pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que revelou mensagens e planilhas que embasam as suspeitas da PF.

Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado após a operação policial, afirmando que a decisão visava evitar desgastes para o governo e permitir que ele se concentrasse em sua defesa. O senador sempre manteve sua defesa, classificando a atuação da PF como "espetacularização" e reafirmando sua amizade com o ex-sócio do Master, Augusto Ferreira Lima, mas negando qualquer contrapartida. As fontes divergem quanto ao retorno do contato do senador para comentar a evolução patrimonial; a CNN Brasil informou não ter obtido retorno até o fechamento da matéria, enquanto O Globo citou que o senador foi procurado via assessoria, mas não respondeu até a publicação.