Pastor critica fundamentalismo e diz que Brasil evangélico se distancia do Evangelho

Pastor Ed René Kivitz critica o fundamentalismo evangélico no Brasil, afirmando que o país se torna mais evangélico, mas se distancia do Evangelho. Ele aponta a "bolsonarização" dos púlpitos e a divisão maniqueísta da sociedade.

Pastor critica fundamentalismo e diz que Brasil evangélico se distancia do Evangelho

O pastor Ed René Kivitz, da Igreja Batista de Água Branca, expressa um sentimento de distanciamento em relação a outros líderes evangélicos no Brasil, sentindo-se marginalizado por suas visões progressistas. Ele descreve essa situação como uma consequência da "bolsonarização" dos púlpitos, que o empurraria para a periferia do segmento religioso. Kivitz, que se considera parte de uma minoria progressista, busca demarcar seu posicionamento através de iniciativas como seu programa no YouTube, "Fé na sua Fé", e o lançamento de seu novo livro, "Uma Ideia Elegante de Deus".

## Brasil evangélico e distante do Evangelho

No livro, Kivitz crava a ideia de que o Brasil está se tornando cada vez mais evangélico, mas, paradoxalmente, cada vez mais distante dos ensinamentos centrais do Evangelho. Ele critica a ascensão evangélica no país, afirmando que ela promoveu "trânsito religioso, mas não revolução ética". O pastor vê o fundamentalismo como um obstáculo, pois, ao dividir a sociedade em "bem" e "mal", ele impede o diálogo essencial. "Quando você enxerga o outro como um ser humano das trevas, você converte ou elimina. Com o mal você não conversa", afirma.

Kivitz também aponta falhas na esquerda, que, segundo ele, "não compreende a legitimidade da experiência religiosa e, por isso, é preconceituosa". Como exemplo de uma visão religiosa mais fechada, ele menciona a polêmica sobre a alteração de horários de culto para coincidir com jogos de futebol, como ocorreu durante a Copa do Mundo. Sua igreja cancelou o culto das 18h em um domingo de jogo, uma decisão que, para ele, demonstra uma maior flexibilidade cultural e um foco na experiência religiosa em detrimento do rito.

## Críticas ao fundamentalismo e hierarquias sociais

O pastor detalha que o fundamentalismo se manifesta no maniqueísmo, onde a sociedade é vista como dividida entre "os que são da luz" e "os que são das trevas". Essa mentalidade, segundo ele, leva à desumanização e à crença de que aqueles que representam o "mal" devem ser eliminados. Ele compara o movimento ultratradicionalista católico com o que ocorre no mundo evangélico, ambos reagindo à quebra de hierarquias sociais tradicionais.

Segundo Kivitz, o que revolta a sociedade conservadora é a reivindicação de direitos iguais por grupos que desafiam o padrão estabelecido: homem sobre mulher, branco sobre negro, urbano sobre indígena, magro sobre gordo e heterossexual sobre homossexual. Para os fundamentalistas, essas reivindicações representam a "desordem da ordem que Deus estabeleceu". Ele defende que a capacidade de adaptação multicultural é o que mantém o cristianismo vivo, contrastando com a rigidez fundamentalista que, em vez de ser um remédio, acaba sendo um veneno para a fé.